A minha Pátria é o Algarve.
Foi no Algarve que nasci, foi no Algarve que cresci e foi no Algarve que sempre vivi.
Os poucos meses que passei em Mafra, em Abrantes e em Castelo Branco serviram apenas para melhor entender que o meu lugar é aqui. Do mesmo modo que sinto que estou a sair da minha Pátria cada vez que atravesso as fronteiras do Guadiana ou do Vascão, por exemplo.
O Algarve em que eu nasci não é, obviamente, o mesmo Algarve em que vivo: a minha Pátria está marcada pelos interesses económicos dos que a viram como uma galinha dos ovos de oiro.
Os interesses económicos dos que derrubam amendoeiras, figueiras e alfarrobeiras para plantar palmeiras, mélias e jacarandás…
Os interesses económicos dos que enchem cá as contas bancárias e desprezam as pessoas, as empresas e os clubes algarvios…
Os interesses económicos dos que vêem cada palmo de terra como terreno para betão e relva e insistem em destruir o património arquitectónico e cultural que encontraram…
Os interesses económicos dos que colonizam o Algarve, olhando os algarvios como uns intrusos, porque isto seria bem mais rentável só com sol e praias…
A minha Pátria é o Algarve do céu azul. O Algarve que ainda cheira a forno quente. O Algarve das moças morenas de sorriso simples. O Algarve dos serões ao luar. O Algarve da paz, das portas abertas e da conversa franca. O Algarve da faina alegre. O Algarve dos passeios ao sol. O Algarve do namoro permanente.
João Xavier