Estou farto! Farto da crise. Farto, farto, farto!!!
Tenho passado a vida a ouvir falar de crise.
Foi a crise do petróleo, foi a crise do prec, foi a crise do raio que os parta e agora ainda é a crise do capitalismo, a crise dos mercados, a crise da globalização, eu sei lá que mais.
Tenho investigado muito e já percebi que o português é um gajo que não sabe viver sem crise.
Foi a crise da 1ª Grande Guerra e da 1ª República, foi a crise da 2ª Guerra Mundial, foi a crise dos anos 60, foi a crise da guerra colonial, foi a crise disto e a crise daquilo.
Desfolhei um dia destes o jornal O Algarve de 1931 e encontrei um editorial dedicado à … à crise, pois a que havia de ser?!…
“Em toda a parte se fala em crise, mas nenhuma se pode comparar à que o Algarve vae atravessando.”
Avidamente fui logo procurar os contornos da crise a que o artigo se referia. Afinal, a crise em causa era a crise da amêndoa (era cotada como das melhores mas estava a diminuir a procura, por baixa de qualidade), a crise do figo (por causa do custo da mão de obra, estava a render pouco) e a crise da alfarroba (já havia na altura algumas com 3 anos de armazém…)…
Belos tempos!
Abandonadas as amendoeiras, as figueiras e as alfarrobeiras, o Algarve rola agora em cima de crises sucessivas por causa do turismo feito monocultura: desertificámos a serra e o barrocal, atulhámos o litoral, pusémo-nos a viver à conta de turistas ricos, mas a palavra crise não nos abandona.
Esta é mais uma marca da colonização portuga: os provinvianos que colonizaram o Algarve também, como os seus patrícios que por Portugal ficaram, não sabem viver sem se lamentar da crise.
Vivem acima das suas posses, ostentam o que não podem pagar, estroinam com um marialvismo ímpar, sonham de noite para projetar de dia…
Quando constatam que a coisa não está financeiramente agradável… safam-se depressa, desculpando-se com a crise.
Quantas gerações já nasceram e morreram a emprenhar os ouvidos com a crise?
‘da-se!…

21 Agosto 2011 às 11:55 pm |
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