Vulcões no Algarve

Pouca gente sabe da existência de vulcões no Algarve. Houve diversos que deixaram testemunhos à superfície, mas em Monchique existe ainda muito magma que gostaria de sair cá para fora…

Só na passada quinta-feira, dia 17, o Instituto de Meteorologia registou 3 sismos com epicentro na zona de Monchique (ou, mais concretamente, a área que vai da Serra de Monchique até Portimão), o que denota bem a atividade que ruge no subssolo montanhoso da Serra de Monchique.

Um sismo de grau 1,8 na Escala de Richter a 15 km de profundidade às 13h 45m, outro de grau 1,0 também a 15 km de profundidade às 22h 25m e outro de grau 0,6 a 12 km de profundidade às 22h 43m. …tudo, exatamente, numa área muito sísmica, a que vai da Serra de Monchique até Portimão. Há por ali muitas deformações neotectónicas de plioquaternários do maciço intrusivo cheio de sienitos nefelínicos com falhas, fraturas e dobras no contacto com os xistos e os grauvaques do Paleozoico.

A Terra é um planeta vivo e isso nota-se bem pelos registos sísmicos em Monchique! Há, evidentemente, outras probabilidades de risco. As falhas no fundo do oceano, a compressão África-Eurásia e mesmo a eventualidade de colapso vulcânico das Canárias podem ser bem mais amedrontadoras. E isto acaba por ser, felizmente, apenas uma curiosidade.

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2 Respostas to “Vulcões no Algarve”

  1. João Xavier Says:

    Os sismos que eu referenciei com epicentro perto de Monchique foram registados pelo Instituto de Meteorologia em 2011 d.C. e não há milhões de anos.
    De qualquer modo, terminei o artigo dizendo que isto é apenas uma curiosidade…
    Cordiais cumprimentos

  2. Eduardo Says:

    Caro João. Pese embora uma certa analogia no processo de formação, creio que relacionar o Maciço Ígneo de Monchique com fenómenos de vulcanismo adormecido, não só é incorrecto, como poderá gerar alguma preocupação e alarme infundados junto dos seus leitores. Principalmente, os de Monchique.

    Com efeito, o Maciço Ígneo de Monchique resulta de um fenómeno de intrusão de índole batolítica (Aires-Barros, 1979), ou, de acordo com outros autores (Feio, 1951) lacolítica. A saliência e configuração da massa eruptiva tal como conhecemos hoje, explica-se, fundamentalmente, devido a processos de exumação relacionados com a erosão diferencial e não por tradicionais erupções vulcânicas antigas (explosivas ou efusivas).

    Assim, Monchique integra-se muito mais facilmente na nomenclatura de complexo sub-vulcânico, na medida em que os processos de formação que lhe estão associados se processaram, há cerca de 72 milhões de anos, tendo aparecido à superfície, há cerca de 30 (Rock, 1983).

    Afirmações absolutas e demasiado vagas, tais como: “em Monchique existe ainda muito magma que gostaria de sair cá para fora…” não só são perigosas, como carecem de melhor rigor e fundamentação científica, muito para além da reconhecida intensa actividade sísmica existente na região.

    Cumprimentos;

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