Estórias da História no Algarve

D. João II

No início de outubro de 1495, o rei português D. João II, com 40 anos de idade, doente, chegou às Caldas de Monchique para se tratar.
Sentindo-se melhor, foi tomar dois banhos e participou numa caçada!
Piorou com grandes dores de estômago e com fortes diarreias e foi levado para Alvor, onde se acamou.
Em 25 de outubro de 1495, teve um ataque de soluços e disse: «Daqui a duas horas me finarei.»… Assim foi.
Quando no ano 1500 D. Manuel veio a Silves para trasladar o primo para a Batalha, constatou que o cadáver estava incorrupto e até com as faces coradas. Passou a constar que era milagre, mas desconfia-se que foi o efeito de o terem envenenado com arsénico. A autópsia tinha referido que D. João II morrera de febre tifoide, uremia e nefrite crónica…
Garcia de Resende escreveu que o rei morreu «fora de Portugal, no reino do Algarve».
Curiosamente, D. João II ( o rei do famoso Tratado de Tordesilhas) casou aos 15 anos com uma prima de 12 (!…), foi o primeiro rei a usar o título de «Rei de Portugal, dos Algarves de Aquém e de Além Mar em África e Senhor da Guiné»… , matou um cunhado à punhalada e afogou um bispo numa cisterna…
Temos no Algarve um forte património imaterial de estórias com história, mas não o temos sabido aproveitar!
Bom seria que tivéssemos nos locais referenciados indicações públicas destes e de outros momentos que marcaram os nossos espaços!…
Fartam-se de dizer que o turismo no Algarve não pode ser só sol e praia, mas pouco se vê de uma implementação séria das outras vertentes…
(Texto de João Xavier no Jornal do Algarve de 30.out.2014)

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