O ocaso das cartas

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Há tempos, perante um miúdo que teimava em não querer aprender a ler nem a escrever, lembrei-me de lhe dizer: «Tens de aprender a escrever, para poderes ter um telemóvel!»
A motivação funcionou como a descoberta da vida. O puto, pelos vistos, ainda não tinha pensado no assunto e as referências culturais do meio familiar não eram suficientes. Foi preciso referenciar a onda tecnológica…
Com o passar dos anos e das gerações, muitas foram sendo as motivações para a aprendizagem da escrita. A alavanca social foi a primeira. Depois, vieram as ambições do conhecimento, a comunicação à distância e outras…
Poder escrever cartas era uma maravilha para quem tinha alguém querido longe. Era praticamente a forma exclusiva de contacto. Depois vieram os telefones e nem vale a pena aqui fazer uma relação exaustiva das novidades tecnológicas que foram aparecendo sem o papel.
A escrita, é verdade, continua essencial. Na internet, por exemplo. Mas as cartas vão sendo hoje em dia uma espécie em vias de extinção.
Ocorreu-me tudo isto, um dia destes, quando numa caminhada passei pela caixa do correio que apresento na foto anexa. Cheia de ferrugem e, provavelmente, cheia de teias…

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