O mosquedo

Foto João Xavier -Mosca de olhos vermelhos

Há quem diga que os insetos são os verdadeiros donos do planeta em que vivemos.
Nas rotinas quotidianas em que nos encafuamos, passamos muitas vezes «à margem» da vida nossa vizinha, exceto se algo nos incomoda.
Um dos insetos que não gostamos de ver por perto é a mosca. Está associada a porcaria e a doenças, por transportar bacilos, estreptococos e outros microrganismos patogénicos. Não é geralmente agradável à vista. Poisa onde não gostamos de a ver poisada.
A mosca é um inseto díptero, prima de mosquitos e moscardos, e chega a bater as asas 190 vezes por segundo, o que lhe permite fugas fáceis.
António Aleixo, o grande poeta popular algarvio, escreveu um dia que uma mosca poisa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria…
E o povo tem um provérbio amiúde recordado quando queremos criticar as mudanças de poleiro: «Mudam as moscas, mas a merda é a mesma.»
Um outro provérbio faz a apologia do silêncio dizendo: «Em boca fechada não entra mosca.»
E é ainda um outro provérbio que sobre estratégias de sedução nos diz: «Não é com vinagre que se apanham moscas.»…
Um dia destes, fotografei esta mosca de olhos vermelhos enquanto descansava à sombra. E apeteceu-me refletir sobre a biodiversidade, sobre a vida e sobre o mosquedo que por aí anda…


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