Grécia – a mãe de todos os calotes

Foto João Xavier - Can't stop greks

O dia de hoje é histórico. «A Grécia torna-se o primeiro país desenvolvido a falhar reembolso ao FMI.» – diz o Diário de Notícias. Devia ter pagado 1600 milhões de euros e ainda no corrente mês tem o dever de pagar 3,5 mil milhões de euros ao BCE.
Caloteiros com o Fundo Monetário Internacional, como a Grécia, estão o Sudão, a Somália, o Zimbabwe, o Peru, a Libéria, o Congo, o Vietname e o Iraque…
No próximo domingo, os gregos vão referendar: concordam com o fim das negociações com os credores ou querem que o governo se sujeite às condições impostas por estes para despejarem mais euros nos cofres do Estado grego?
É evidente que sobre os gregos recai desde já, além do sequestro do dinheiro já em prática (só podem levantar 60 euros por dia no multibanco!), pode mesmo vir a faltar dinheiro para pagar ordenados e pensões…
O título do Diário de Notícias traz uma referência que provoca sorrisos. Chamar desenvolvido a um país como a Grécia… é um favor, uma gentileza. Só que a situação financeira do Estado helénico não é para sorrisos, mesmo para Portugal.
Os desequilíbrios do euro podem desestabilizar economias mais insípidas e com isso todos sofremos. Eu até concordo com Cavaco Silva («A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países.»), mas andam por aí tantos profetas da desgraça com medo que a Grécia saia da eurolândia… que também já começo a ficar pessimista, sabendo que a Grécia está nas mãos de uns valentões que ganharam as eleições diabolizando a troika e teimam em manter uma economia disfuncional e uma teia de direitos obtusos…


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