Parece que vivemos num canil

foto joão xavier - proibido cães

Liliana Antunes é uma jovem tuga que participou na «Casa dos Segredos». Um dia destes, o avô septuagenário, farto de ouvir a cadela de um vizinho a ladrar, matou o vizinho, o filho do vizinho e um guarda que de seguida apareceu.
Os repórteres surgiram quase tão depressa como os reforços da GNR e a Quinta do Conde ficou em estado de sítio.
O pai do soldado disse depois que o filho «morreu pela Pátria». Não há na imprensa portuguesa nenhum comentador que não tenha botado palavra sobre o caso. E no funeral até esteve presente o primeiro-ministro com uma ministra.
O assassino diz que a mulher está depressiva e já não suportava ouvir o bicho.
Podemos construir infernos, vivendo como se os vizinhos fossem paisagem? Eu já vivi com uma labrador no piso de cima e só por ser civilizado a coisa não transbordou. É preciso saber gerir os incómodos!
Neste país sem roque, já não há património coletivo a empolar os sentimentos patrióticos. Agora, dizem que morrem pela Pátria a ganhar comissões de serviço no Afeganistão ou a patrulhar bairros de gente frustrada.
Ainda há poucos dias o Correio da Manhã publicou esta anedota: «Entre vizinhos: “O seu cão uivou a noite inteira, deve estar pressentindo a morte.” “A morte de quem?” “Dele, se esta noite uivar outra vez…”»
A culpa não é dos cães. A gente é que vive numa espécie de canil!…


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