O ministro e a enxurrada de asneiras

foto joao xavier - ministro calvao silva em albufeira

Estive com o ministro da administração interna, Calvão Silva, quando este visitou Albufeira na sequência da calamidade provocada pelo temporal do passado dia 1.
Com a tendência que a opinião pública tem para valorizar coisas menores, anda agora a assumir contornos virais o rol de asneiras que o referido ministro botou na ocasião.
Calvão Silva, apanhado na enxurrada da primeira problemática do seu mandato, disse que é transmontano e lutou com trabalho para ser alguém, porque a mobilidade social está disponível para todos.
Depois, disse também que Deus não foi amigo e a Natureza foi demoníaca.
Não, senhor ministro, nem Deus foi inimigo nem a Natureza foi demoníaca. Foram os homens burros que quiseram armar-se em senhores da Natureza e domadores de ribeiras e vales.
Disse também que este temporal foi uma lição de vida para quem não fez um seguro. Mas deveria ter dito também que há normas de respeito por linhas de água. Normas que as autarquias deveriam respeitar como lei, para que não tenhamos de lamentar tantos danos.
Os ministros que vamos tendo não são do melhor que há. Mas os engenheiros que desde há quase 100 anos têm esganado e enterrado a ribeira de Albufeira deveriam ser civilmente responsabilizados pelas inundações de 1949, 1989, 2008 e 2015, por exemplo. Deveriam ser os primeiros a dizer aos políticos que o que lhes pedem é um risco para pessoas e bens. Um grave risco.


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