A ribeira que Albufeira não quer

FOTO JOÃO XAVIER - FOZ DA RIBEIRA DE ALBUFEIRA

Albufeira iniciou no séc. XX a implementação de um modelo de gestão do território em que passou a olhar a sua ribeira como um estorvo, esganando-a e enterrando-a.
Em vez de a assumir como uma dádiva da natureza e construir ao longo das suas margens um corredor verde até ao mar, escondeu-a e construiu arruamentos sobre ela!
Este erro crasso de visão paga-se caro. Paga-se em bens e em vidas.
Não é por isso de estranhar que os albufeirenses mais velhos recordem ainda barcos na Baixa, na cheia de 1949. É que, além dos trabalhos já referidos, a cidade, em vez de se ordenar urbanisticamente virada para o mar, começou a gerir o seu território de costas para ele: fez aterros e construiu obstáculos em praças polos de confluência, de modo a que as águas pluviais não escorram diretamente para o oceano.
Isso é notório na chamada praça da meia laranja e na zona adjacente à praia dos pescadores.
Já no séc. XXI, sem terem aprendido a lição da inundação de 1989, os engenheiros prosseguiram no agravamento das medidas de desrespeito da estrutura hídrica local: canalizaram mais um troço da ribeira a montante da rotunda do buraco!
As grandes inundações de 2008 e 2015 têm, forçosamente, de servir de lição.
Albufeira não pode continuar a fingir que não tem uma ribeira!!!…


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