Freitas do Amaral, futurólogo do Algarve

Num anúncio do livro D. Afonso III

Freitas do Amaral, que foi um grande estadista português e depois foi de cavalo para burro (até chegou a ser ministro de um governo de José Sócrates!!!), publicou recentemente um livro sobre o rei D. Afonso III.
No anúncio dessa obra, lê-se: «O rei que conquistou o Algarve e que fez dele para sempre território português»…
É verdade que D. Afonso III conquistou Faro. E também é verdade que, tendo contado com a colaboração de um mercenário chamado Paio Peres Correia, que habitualmente lutava por Castela, D. Afonso III usou uma série de artimanhas para que, passados 18 anos, Castela desistisse da soberania sobre o Algarve. Uma dessa artimanhas levou-o a ser excomungado pelo Papa: é que o soberano português cometeu adultério, casando com uma filha do rei de Castela enquanto ainda estava casado com a rainha portuguesa…
O certo é que o lado podre de D. Afonso III é demasiado grande para se pretender «dourar a pílula» e fazer dele, genericamente, «um grande homem de Estado».
Agradecemos, da nossa parte, a importância que Freitas do Amaral dá ao Algarve, pelo modo como destaca a respetiva conquista. Mas o erro maior do fundador do CDS é pensar que o Algarve fará parte do território português para sempre. Isso é um exercício de futurologia barata.
O Algarve integra o território português desde o séc. XIII e soube manter uma forte individualidade física e cultural, corporizada na autonomia que perdurou e lhe manteve o nome de reino. Por isso mesmo D. Afonso III passou a intitular-se «Rei de Portugal e do Algarve».
No séc. XIX, a nossa marca própria esteve bem espelhada na rebeldia do famoso Remexido, que foi o último resistente contra o rei português de então e foi fuzilado em 1838.
No séc. XX, o Algarve foi fortemente colonizado e basta-nos sentar um grupo de amigos à volta de uma mesa para percebermos que muitos deles são naturais de Portugal ou com ascendência lusa.
Isso não quer, contudo, dizer que o futuro do Algarve seja Portugal. Investigar a História é ver o passado, não é prever o futuro.

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