O gajo que implodiu o Hospital de São José

foto agenda lx hospital são josé

David Duarte, português de 29 anos de idade, curtia a vida. Usava umas barbas negras com bigode retorcido e esburacara as orelhas com uns orifícios centimétricos. Realizava-se no mundo da fotografia. Estava a montar um estúdio em Santarém e iniciara na semana anterior a vida conjugal com a namorada de há 3 anos.
No passado dia 11, após o almoço, ficou paralisado do lado direito e deixou de conseguir falar. Em pânico, foi levado para o Hospital de Santarém.
Com uma hemorragia cerebral,foi transportado ao anoitecer para o Hospital de São José, onde deveria ser sujeito a uma cirurgia de emergência… só que… “ao fim de semana não iria haver equipa de neurocirurgiões” e por isso ele “iria aguardar até segunda feira de manhã”.
Não aguardou. Morreu.
Na sequência da divulgação pública do caso por familiares, pediram a demissão a presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Central, o presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Norte e o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
Esta autêntica implosão de altos «responsáveis» do sistema de saúde é tema de toda a imprensa portuguesa.
O caso do David nem sequer foi o primeiro deste ano. Um outro caso similar tinha ocorrido com uma sexagenária. Porque em Portugal o fim de semana é mais sagrado que o direito à vida!
Seria muito interessante que aos fins de semana as polícias e os bombeiros não respondessem às emergências, para poderem dar esses dias de descanso aos seus funcionários.
As democracias europeias vivem esta coisa das regalias dos trabalhadores com uma leviandade atroz. E é preciso alguém pagar com a vida, para parecer que acordámos de uma letargia qualquer.
«Perdi o meu grande amor, o meu melhor amigo, o meu pilar. Quero-te de volta, o teu sorriso, as tuas palavras, o teu carinho, a pessoa maravilhosa que eras.» – escreveu Elodie, a namorada do David. Mas a vida não volta atrás.


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