A Barragem da Bravura tremeu

foto fernando marreiro - barragem da bravura

No passado dia 4, pelas 16 horas, foi registado um sismo interessante no Algarve: ocorreu com epicentro a 17 Km de profundidade, sob a albufeira da Barragem da Bravura.
Com a magnitude de 1,6 graus na escala de Richter, o sismo não foi, obviamente, sentido por ninguém.
É verdade que foi apenas mais um sismo. Ocorrem bastantes no Algarve (sobretudo em zonas submersas pelo mar). O certo é que a mãe Terra continua a mexer…
A falha de Espiche – Odiáxere está referenciada como um dos acidentes tectónicos algarvios com maior envergadura, mas a que ali tremeu terá sido a da Ribeira de Odiáxere (uma falha sísmica com componente de movimentação horizontal).
A ribeira de Odiáxere, essa, continua a correr alegremente. Nasce na Serra de Monchique (relativamente perto de Marmelete) e ruma ao sul para, após quase 30 km de percurso e uma bacia hidrográfica de 160 km2, passar por Odiáxere e desaguar no estuário do Alvor. Antes, alimenta o sistema aquífero Almádena-Odeáxere, que é uma mancha subterrânea com mais de 12 km de comprimento, comprimida entre as falhas tectónicas de Espiche – Odiáxere e de Barão de São João, sobre calcários e dolomitos.
Em 1959, o então Presidente da República Almirante Américo Tomás inaugurou a Barragem da Bravura, essencial para o desenvolvimento agrícola que desde então se processou tendo como alavanca a Associação de Regantes e Beneficiários do Alvor, que faz a gestão da obra hidroagrícola dos campos do Alvor.
A Barragem da Bravura, construída no Monte da Bravura, é a 5ª maior do Algarve, com 41 metros de altura e capacidade para 35 milhões de metros cúbicos de água, formando 3 ilhas na sua albufeira que, além de abastecer o regadio, desde 1981 também fornece água para abastecimento público.
A vida continua.


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