Marcelo e a maioria silenciosa…

foto Lusa - Marcelo Rebelo de Sousa

Consumatum est: Marcelo Rebelo de Sousa, filho de um ministro do Estado Novo, chega ao poder quase 42 anos depois do 25 de abril.
Hipocondríaco e hiperativo, Marcelo foi ontem eleito Presidente da República apenas com o voto de 2.410.130 portugueses (em cada 100 eleitores portugueses, 75 não votaram Marcelo)…
Toda a imprensa refere que Marcelo venceu em todos os distritos… mas esquecem-se de dizer que foi o Norte que elegeu Marcelo à 1ª volta: com os votos dos distritos de Lisboa, Setúbal, Portalegre, Évora e Beja e também do Algarve, Marcelo teria de ir à 2ª volta com Sampaio da Nóvoa…
No Algarve, a votação do comentador da televisão ficou-se pelos 47,62 %, tendo o ex-reitor ficado em 2º lugar com 22,83 % dos votos.
Politicamente, é relevante a leitura dos que dizem que, afinal, a «maioria de esquerda» só existe mesmo é no parlamento: 3 meses depois das eleições legislativas, quem ganhou eleições foi o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, particularidade muito bem vincada pelos adversários de Marcelo durante toda a campanha eleitoral.
Explicando melhor: a direita continua em Belém. Marcelo diz que é da esquerda da direita, mas para mim o que mais marca a eleição de ontem é a vitória de uma « TV star», uma estrela de televisão que, depois de fracassadas tentativas para ganhar atos eleitorais políticos, passou anos e anos a cultivar um estilo popularucho na RTP e na TVI, sem falhar o apoio a candidatos autárquicos do PSD por todo o país, sempre que havia eleições municipais, tecendo uma rede de cumplicidades e compromissos que agora foram retribuídos na dose qb.
Marcelo, note bem, só teve o voto de 25 em cada 100 eleitores portugueses!…
Retire o leitor desta estatística a conclusão que melhor entender.


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