A professora e as ratazanas

Foto joao xavier - rua da liberdade

Quando a guerra civil entre liberais e absolutistas espalhou o terror no Algarve, grupos liberais de Olhão montaram na zona hoje ocupada pela Rua da Liberdade um posto de defesa da então vila cubista. Corria o ano de 1833 e toda a zona envolvente era pantanosa, com sapais e esteiros da Ria Formosa.
Foi a derrota dos miguelistas que motivou o nome dado a esta rua.
Já no séc. XX, nos Santos Populares, a Rua de Liberdade, em Olhão, foi premiada em 1966, 1978 e 1983.
Comprida mas acanhada, sem passeios e mal alcatroada, esta Rua da Liberdade veio recentemente para os holofotes da imprensa nacional, devido a um caso escabroso de uma família triste.
Uma professora aposentada, octogenária, vive ali com uma filha de 65 anos, acamada (a dormir nua), e um filho (de 51) esquizofrénico.
No meio do lixo e em plena insustentabilidade, a família era frequentemente atacada pelas ratazanas que faziam daquele lar a sua casa.
Mordidas pelas ratazanas, mãe e filha foram então hospitalizadas e as reportagens televisivas entraram casa dentro…
Foi mais um caso para nos deixar atónitos e ao mesmo tempo indignados.
A sociedade urbana perdeu os níveis de solidariedade que antes as pequenas urbes conservavam. Vive-se cada vez mais a tentar assobiar para o lado e, mesmo com o elevado nível de desemprego e de inatividade que caracterizam a sociedade atual, inventam-se sempre indisponibilidades para a ajuda e para o altruísmo.
É-nos difícil imaginar o sofrimento daquela mulher que, depois de uma vida de trabalho, se vê com uma cruz tão pesada às costas… na rua da liberdade, mas sem saber o que é a verdadeira liberdade…


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