Morreu o eucalipto do PS

Foto João Xavier - Mário Soares em 2010

Morreu Mário Soares.
Referência fundamental da «democracia» portuguesa, este homem da grande burguesia lisboeta marcou o regime de uma forma impressionante, com um percurso de governante, presidente e deputado.
Viajante exímio, chegou a ser chamado de abelhudo (que andava sempre a voar e quando poisava só fazia cera).
O papel que desempenhou como descolonizador ficou na História pelas guerras, pelos retornados e pela miséria que grassou de seguida em Angola, em Moçambique e na Guiné Bissau.
Durante décadas, secou como um eucalipto todas as grandes personalidades que emergiram no PS. Fê-lo com Salgado Zenha e com Manuel Alegre e com uma tal sede de poder que acabou humilhado com um 3º lugar em eleições presidenciais.
Até a Sócrates tirou o tapete com críticas avulsas, no final da carreira política deste, do que se tentou redimir já sem lucidez, quando Sócrates esteve preso.
Tido como um incompetente bonacheirão, Soares liderou o país para o primeiro pedido de socorro ao FMI. Contou depois Hernâni Lopes que um dia, às duas da madrugada, lhe ligou a dizer precisamente que Portugal caíra na bancarrota, ao que o Bochechas reagiu: «E isso pode-se resolver já?» «Não.» «Então vá dormir.»
Portugal tem tido um desempenho desastroso no pós 25 de abril. E Mário Soares fica como símbolo desse fracasso, por muitas lágrimas fingidas que vejamos nestes dias…

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