Os ciganos, o ostracismo e a xenofobia

Foto João Xavier - Ciganos

André Ventura, professor universitário e grande adepto do futebol, candidata-se pelo PSD a presidente da Câmara Municipal de Loures.

Saltou para a ribalta no passado dia 17, ao afirmar que os ciganos têm de interiorizar o Estado de Direito e vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado.

As declarações, eivadas de preconceito, ficam mal a quem quer ser autarca e desencadearam uma polémica nacional que aponta ao jovem traços de xenofobia e racismo.

O CDS foi o 1º a demarcar-se, abandonando a coligação que se aprestava para concorrer ao ato eleitoral que se aproxima.

Os ciganos, como etnia que prima por não dizer amém a todas as modas ocidentais, são muitas vezes vistos como gatunos e violentos. E nos tempos que correm acresce também a reprodução fácil que colide com a miserável taxa de natalidade que generalizámos.

Quando comprei o meu primeiro apartamento, não gostei de ver ao lado um acampamento cigano. Foi um erro que depressa corrigi. Os ciganos são bons vizinhos.

Depois, tive várias turmas com ciganos e aproveitei para conhecer melhor a história e a cultura cigana. Aprendi a valorizar as diferenças e a questionar o turbilhão de modernidade que nos faz abdicar de valores ancestrais.

É verdade que muitos ciganos estão a sedentarizar-se e a assimilar modos de vida que rompem de vez com as suas tradições. Mas os que não os seguem não têm de ser ostracizados.

Os ciganos são pessoas com direitos e com deveres e não têm de abdicar de modelos de vida por imposição alheia.

É na diversidade que nos enriquecemos.

 

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Uma resposta to “Os ciganos, o ostracismo e a xenofobia”

  1. Vitor Madeira Says:

    Fantástico. Faz muita falta lermos e ouvirmos mais opiniões de quem priva ou privou mais ou menos de perto com ciganos para compreender que, embora vivam com ideais, desígnios, sonhos ou objetivos diferentes, são tão seres humanos como todos os que se afirmam “civilizados”.

    Aqui há uns anos ajudei um casal de velhotes ciganos no centro de saúde. Quer a funcionária do centro, quer o casal, falavam língua portuguesa, mas algo no meio estava a ser de tal forma incompatível que ninguém percebia o que a outra parte realmente queria dizer ou saber. A arrogância de quem não queria “descer” ao nível dos “inferiores” contrastava com humilde ignorância de quem não conseguia chegar ao nível de sua excelência a funcionária…

    Como costumo dizer a muitos amigos, se algum dia a humanidade vir a passar por alguma espécie de cataclismo termo-nuclear (causado pelos líderes da civilização dita “ocidental”), não tenham dúvidas que, das pessoas que sobreviverem, muitos dos ciganos ditos “primitivos” serão certamente dos mais preparados para sobreviver e ensinar a sobreviver os dias subsequentes.

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