Archive for the ‘Editorial’ Category

A capital das ervas

23 Agosto 2017

foto joao xavier - «jardim» da praceta barjona freitas

A capital algarvia tem tido uma qualquer aversão às zonas verdes!

Na envolvente da praceta Barjona de Freitas, as ervas crescem e morrem com um à-vontade incrível.

É apenas um exemplo. Todos gostaríamos de ter uma cidade onde as plantas são acarinhadas para embelezarem a paisagem urbana, mas o que se constata é que outros «valores» se levantam.

A política do betão e do alcatrão dá mais impostos, contudo, não é disso que se alimenta a qualidade de vida.

A política das festas e das diversões é muito popularucha (agora diz-se «populista»), mas o que a gente quer são coisas duradoiras, trabalhos profícuos e zelo.

Quando deixamos prosar as ervas daninhas, todos ficamos a perder.

 

Queres emprego ou queres trabalho?

22 Agosto 2017

foto joao xavier - restaurante

Um emigrante português em Inglaterra dizia-me há dias que o profissionalismo e a entrega ao trabalho lá são muito maiores do que cá. Por exemplo… em Portugal notava que o absentismo é uma espécie de brincadeira para muitos trabalhadores…

Socorri-me então de um estudo encomendado pelo Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério do Trabalho em 2010, sobre dados de 2008. Confere.

Os portugueses são danados para faltar ao trabalho.

No setor de alojamento e restauração, o absentismo tinha uma taxa de 9,5, contra o da agricultura, pesca e caça, com 8, o da saúde e apoio social, tb com 8 e as indústrias transformadoras, com 7,5.

Aquela estatística referia que as horas de trabalho perdidas foram em 2008 de cerca de 100 milhões!

Um gestor de uma empresa de fast food disse-me que a juventude a contrato é a que mais falta… mas pior que isso são as horas de presença no local de trabalho a… engonhar.

Está percebido. Por algum motivo o tuga costuma dizer: «se o trabalho dá saúde, trabalhem os doentes»…

 

As caralhadas do Manel

21 Agosto 2017

Foto João Xavier - Jorge Sousa irritado no Algarve

Chama-se Manuel Jorge Neves Moreira de Sousa, mas na arbitragem é conhecido como Jorge Sousa.

No jogo do Sporting B do passado fim de semana, para a 2ª Liga, exaltou-se na formação de uma barreira e gritou para o guardião leonino:

«Estás a falar para quem, caralho? Estás a falar para quem, caralho? Para a baliza. Mas que brincadeira? Eu não brinco com ninguém, caralho. Põe-te na puta da baliza. Mas que é isto, eu não brinco com ninguém, caralho. Quem é que está a brincar? Eu não brinco com ninguém».

Este grande exemplo de serenidade e caráter num árbitro com as insígnias da FIFA diz muito sobre o seu perfil, confirmando que há também ali uma qualquer embirração com as barreiras, como eu fotografei em 2012.

Há uns bons anos, estava eu a arbitrar um jogo, quando vi 3 jogadores notoriamente exaltados com um árbitro assistente. Corri para o local a perguntar o que se passava e um dos futebolistas disse-me que o «fiscal-de-linha» o tinha mandado pró caralho.

Na cabine, questionei o meu colega que depressa confirmou: «Sim, mandei-o. Ele só estava a dar-me cabo dos cornos.»

Na segunda feira, tratei logo de informar o conselho de arbitragem que aquele elemento não faria mais um único jogo comigo. O meu padrão de conduta está, felizmente, muito acima daquele nível…

Aja cada um conforme a sua consciência.

Moncarapachense entra com o pé direito

20 Agosto 2017

foto joao xavier - moncarapachense - castrense

Ora aí vai a bola para o primeiro golo do Moncarapachense na História do Campeonato de Portugal!

A temporada de 2017/18 do Campeonato de Portugal iniciou-se hoje, com o feliz regresso ao formato de 6 séries da extinta 3ª Divisão Nacional.

Para começar, a equipa de Moncarapacho ganhou ao Castrense (1-0 de penalty que teve de ser repetido…), enquanto o Farense foi triunfar em Moura pelo mesmo resultado e o Olhanense bateu em casa o Almancilense por 2-0. Também é digno de menção o empate 2-2 do Armacenenses em casa do prestigiado Operário.

O Algarve conta com um poderoso esquadrão de 7 equipas neste Campeonato de Portugal, o que diminui as despesas e faculta uma «infindável» série de dérbis.

Ovos envenenados

17 Agosto 2017

foto joao xavier - ovo

Milhões de ovos foram destruídos na Europa nos últimos dias, devido à descoberta de um pesticida chamado Fipronil.

Os ovos contaminados com doses tóxicas daquele veneno circularam, ao que consta, na Holanda, na Bélgica, na Alemanha, na França, na Polónia e na Dinamarca… lista de que todos duvidamos, perante a política de fronteiras abertas e negócio livre que hoje em dia é prática corrente no velho continente.

A própria lista tem tido «atualizações» que já incluem a Suécia e a Grã Bretanha, por exemplo.

Este é apenas mais um escândalo alimentar que prova a problemática da produção vegetal e animal que hoje em dia faz as sociedades «modernas» dependerem de grandes produtores que produzem sem regras de qualidade.

O que vale é produzir muito, depressa e bonito. Os venenos que compramos naquilo que vamos comer são cada vez mais e o que eu estranho é como ainda não há mais doenças.

Os velhos ovos tradicionais que as nossas galinhas punham no ninho depois de se consolarem a fazer um confortável recocão são cada vez mais uma raridade.

A maior parte dos ovos que vamos comendo são postos sobre grades, por galinhas infelizes criadas com farinhas, aditivos e antibióticos. E pesticidas…

 

Uma incompetência do carvalho…

16 Agosto 2017

foto homem de gouveia - queda de carvalho no funchal

Mais um grave acidente: um carvalho com cerca de 200 anos caiu em cima de dezenas de pessoas que participavam numa cerimónia religiosa na Madeira.

O acaso e o azar provocaram 13 mortos (!) e 52 feridos, alguns deles em estado grave.

Mas…

Ao que constou imediatamente no local, aquela árvore há muito que anunciava a queda!

Diz-se até que o problema já tinha sido comunicado à autarquia funchalense e que a árvore de grande porte aguardava o desentorpecimento humano para poder desaparecer daquele lugar tão frequentado sem causar danos.

Pode-se dizer que terá sido mais um exemplo de incompetência… mas não do carvalho.

Passadas algumas horas, chegou a notificação oficial: aquela árvore, afinal, não estava sinalizada.

É pior a emenda que o soneto: se não estava sinalizada, além de incompetência há negligência. Negligência presumivelmente criminosa!…

 

Mais uma igreja no Algarve

15 Agosto 2017

foto joao xavier - inauguração da igreja de almancil

O Algarve tem mais uma igreja: foi hoje inaugurada a Igreja de Almancil.

O belo edifício, arejado e amplo, vem colmatar uma carência que era notória, perante a grande afluência que se notava na vetusta e pequena Igreja de São Lourenço, fora da urbe.

Almancil viveu hoje um momento de alegria.

 

A glória nova de Inês Henriques

14 Agosto 2017

foto sapo - ines henriques

Em toda a história do atletismo, só 6 portugueses chegaram ao ouro mundial: Rosa Mota (em 1987), Fernanda Ribeiro (em 1995), Manuela Machado (também em 1995), Carla Sacramento (em 1997), Nélson Évora (em 2007) e Inês Henriques (ontem).

Rosa Mota vive a promover o desporto, Fernanda Ribeiro e Manuela Machado desapareceram dos holofotes, Carla Sacramento vive anónima em Espanha e Nélson Évora continua a colecionar medalhas… Agora é a vez de uma «enfermeira» de 38 anos.

Todos ouvimos e lemos odes de alegria com o triunfo desta marchadora filha de comerciantes de carvão e lenha, mas nem o record mundial nos deveria deixar impávidos perante uma prova que é desumana e não deveria integrar competições oficiais: percorrer em competição 50 Km não é coisa que se faça.

É verdade que muitos desportos de competição são prejudiciais à saúde, mas esta modalidade abusa.

Os comentários generalizados dizem que é uma vitória das mulheres conseguirem ver esta marcha aceite pela federação internacional de atletismo. É a glória por igualar os homens no pior.

 

Como organizar uma equipa

12 Agosto 2017

foto joao xavier - algarve cf-albufeira

«Organizar uma equipa é complicado.» – diz a Santa Casa num anúncio do Totobola.

A temporada oficial de 2017/18 já começou. Aos poucos, os diferentes campeonatos irão avançar, a nível nacional e a nível distrital, todos com uma vertente comum: uns constroem equipas, outros constroem grupos…

Uma das bases fulcrais de uma equipa de futebol é a mentalidade. Outra é o treino.

Com estas condições trabalhadas em excelência, uma equipa pode tornar-se incontrolável num campeonato.

Se a mentalidade competitiva e de espírito de grupo não falhar, 50% do caminho do sucesso está garantido, porque motiva o empenhamento, a entreajuda, o espírito de conquista e a solidariedade.

A qualidade do treino é a outra condição indispensável: os jogadores podem ter qualidade, o treinador pode arquitetar uma boa tática, mas isso não chega. Se os processos de jogo e de posicionamento não forem suficientemente treinados e repetidos, as falhas vão surgir com frequência.

Quando observamos jogos de equipas ganhadoras, é fácil percebermos se a equipa está trabalhada mentalmente e se os treinos são de qualidade.

Do mesmo modo, por antítese, é fácil percebermos em equipas perdedoras que a mentalidade competitiva está de rastos e os treinos são mais confraternização do que preparação.

O aprimoramento das duas bases fulcrais de uma equipa mostra-se primordial quando uma equipa, depois de um percurso miserável, muda de treinador e passa a somar pontos como nunca.

A qualidade intrínseca dos futebolistas não é tudo!

 

Os povos «indígenas»

11 Agosto 2017

direitos reservados - indios brasileiros

No passado dia 9, passou despercebida uma efeméride que é celebrada desde 1995: o Dia Internacional dos Povos Indígenas.

A ONU considera povos indígenas os que, continuando uma identidade histórica anterior a uma colonização, consideram-se a si mesmos distintos dos povos colonizadores. Persistem na vida com padrões culturais próprios e a ONU quer que os seus direitos sejam respeitados.

Os povos colonizadores sempre tiveram a mania da superioridade e sempre consideraram os seus valores com exclusividade de «civilização». Ainda bem que há quem resiste…

Esta efeméride fez-me lembrar uma pesquisa que há poucos anos fiz sobre os «indígenas» das colónias portuguesas, com estatuto próprio reconhecido pelo Estado Novo.

Os padrões de civilidade do séc. XXI deveriam fazer com que considerássemos todos os indivíduos sobre a Terra como nossos semelhantes (nossos irmãos, como dizia o algarvio Bernardo de Passos), em vez de andarmos a colar etiquetas…