Archive for the ‘Editorial’ Category

Freitas do Amaral, futurólogo do Algarve

29 Novembro 2015

Num anúncio do livro D. Afonso III

Freitas do Amaral, que foi um grande estadista português e depois foi de cavalo para burro (até chegou a ser ministro de um governo de José Sócrates!!!), publicou recentemente um livro sobre o rei D. Afonso III.
No anúncio dessa obra, lê-se: «O rei que conquistou o Algarve e que fez dele para sempre território português»…
É verdade que D. Afonso III conquistou Faro. E também é verdade que, tendo contado com a colaboração de um mercenário chamado Paio Peres Correia, que habitualmente lutava por Castela, D. Afonso III usou uma série de artimanhas para que, passados 18 anos, Castela desistisse da soberania sobre o Algarve. Uma dessa artimanhas levou-o a ser excomungado pelo Papa: é que o soberano português cometeu adultério, casando com uma filha do rei de Castela enquanto ainda estava casado com a rainha portuguesa…
O certo é que o lado podre de D. Afonso III é demasiado grande para se pretender «dourar a pílula» e fazer dele, genericamente, «um grande homem de Estado».
Agradecemos, da nossa parte, a importância que Freitas do Amaral dá ao Algarve, pelo modo como destaca a respetiva conquista. Mas o erro maior do fundador do CDS é pensar que o Algarve fará parte do território português para sempre. Isso é um exercício de futurologia barata.
O Algarve integra o território português desde o séc. XIII e soube manter uma forte individualidade física e cultural, corporizada na autonomia que perdurou e lhe manteve o nome de reino. Por isso mesmo D. Afonso III passou a intitular-se «Rei de Portugal e do Algarve».
No séc. XIX, a nossa marca própria esteve bem espelhada na rebeldia do famoso Remexido, que foi o último resistente contra o rei português de então e foi fuzilado em 1838.
No séc. XX, o Algarve foi fortemente colonizado e basta-nos sentar um grupo de amigos à volta de uma mesa para percebermos que muitos deles são naturais de Portugal ou com ascendência lusa.
Isso não quer, contudo, dizer que o futuro do Algarve seja Portugal. Investigar a História é ver o passado, não é prever o futuro.

Cada vez se constrói menos no Algarve

28 Novembro 2015

foto joão xavier - edifício em construção na penha

Na esquina da Estrada da Penha com a Rua Pintor Artur Costa, onde durante os últimos anos restava uma casa em ruínas está agora em construção um novo edifício.
É um bom sinal.
A Penha, a zona nobre da capital algarvia, dá sinais de vida, em plena crise da construção civil: em 2015 os edifícios que estão a ser construídos correspondem à décima parte do que se construía em 2005.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, há 10 anos concluiu-se a construção de 3680 edifícios no Algarve. No 1º semestre do ano corrente, concluíram-se apenas 227.
Se do ponto do vista do emprego isto representa um autêntico cataclismo, em termos ambientais e de racionalidade corresponde a uma melhoria acentuada: o Algarve, que tinha aumentado em 55% a área com construção, de 1985 até ao ano 2000, algum dia teria de retroceder na betonização!…
Que esta panorâmica nos ajude a melhorar a qualidade de vida.

Mário Centeno – um ministro marafado

27 Novembro 2015

Montagem JX - Centeno Algarve

No 21º Governo Constitucional, a que ontem deu posse o algarvio Cavaco Silva, Presidente da República, uma figura se destaca: o algarvio Mário Centeno, Ministro das Finanças.
Mário Centeno nasceu há 48 anos em Vila Real de Santo António e na cidade pombalina viveu até aos 15 anos.
Doutorou-se mais tarde em Economia e tornou-se Professor universitário. Premiado internacionalmente como um dos melhores jovens economistas europeus, dirigiu um departamento do Banco de Portugal e foi o cérebro do programa económico do PS para as eleições do passado dia 4 de outubro. O seu prestígio crescente leva-o agora à pasta das finanças, no Governo liderado por António Costa.
Mário Centeno é um algarvio convicto e ambicioso e poderá até ter nesta sua primeira experiência governamental um trampolim para mais altos voos, tal como sucedeu a Oliveira Salazar e Cavaco Silva, que também entraram na vida política como Ministros das Finanças.

António Costa e o Algarve

26 Novembro 2015

foto joão xavier - vale de centeanes

É um daqueles locais em mutação constante. É uma das mais belas praias algarvias. Começou por ser Vale de Centeanes, passou depois a ser conhecida como Vale Centeanes e está agora identificada em toda a sinalética municipal de Lagoa como Vale Centianes. E saltou para a ribalta um dia destes quando António Costa ali apareceu a dar uma entrevista a Fátima Campos Ferreira.
Foi em Vale Centianes que o novo Primeiro-Ministro português passou férias quando era puto (o pai comprara ali uma casa) e a maravilha das falésias, do mar e do horizonte cativou para sempre o líder socialista a quem agora a esquerda marxista leninista ofereceu o poder de bandeja.
António Costa nasceu num dia 17 de julho, num ano chinês do búfalo e sob o signo do caranguejo do zodíaco.
Adora chocolates e puzzles, mas investiu numa carreira política de alta escala e não deixou as ambições por mãos alheias. Já foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e Ministro da Justiça num Governo de Guterres… e Ministro da Administração Interna num Governo de Sócrates. Depois, foi Presidente da Câmara de Lisboa. E agora sobe ao mais alto cargo executivo nacional.
O Algarve marca-lhe indelevelmente as memórias. Que a nossa luz lhe ilumine a sapiência.

Putos de 13 anos – só com telemóvel

24 Novembro 2015

foto joao xavier - mulher com telemóvel

O uso de telemóveis, como se sabe e como facilmente se nota em todo o lado, está notoriamente generalizado em Portugal. Por isso este país tem um dos mais elevados índices de telemóveis por habitante, nas estatísticas mundiais.
Um novo dado foi publicado recentemente sobre o assunto: o Instituto Superior Técnico de Lisboa revela que a idade média para o primeiro telemóvel pessoal em Portugal é aos 10 anos… e a percentagem de jovens de 13 anos com telemóvel é praticamente de 100%…
No universo de 7820 putos do inquérito, contudo, aos 6 anos de idade já 172 tinham telemóvel, aos 7 eram 233, aos 8 já iam nos 557 e aos 9 já se somavam 852…
Tem, portanto, futuro garantido, o negócio dos telemóveis, esses pequenos aparelhos que nos iludem a solidão e nos aproximam de quem está longe. Uns louvam-nos por serem instrumentos de ajuda sempre disponíveis (se houver rede e bateria…); outros referem o fator segurança em determinadas saídas; outros ainda elogiam os custos, comparados com os telefones fixos cada vez mais em desuso.
Resta-nos aconselhar a moderação no uso: além das radiações que emitem, os telemóveis forçam muito a visão e causam dependências, manias e fobias…

Abdelhamid Abaaoud no Algarve

19 Novembro 2015

foto joao xavier - bairro municipal da penha

O ataque islâmico a Paris na passada sexta feira 13 está a ter tal empolamento na imprensa que o medo e o pânico estão a corroer o nosso quotidiano.
O jovem belga Abdelhamid Abaaoud (27 anos de idade…), apontado como o cérebro dos atentados na capital francesa, estava, segundo a polícia, na Síria. Mas ontem foi abatido em Paris, crivado de balas e desfeito em pedaços na ação policial que o cercou em Saint-Denis!…
Anteontem, a Penha viveu horas de sobressalto durante a manhã: no bairro municipal junto ao Centro Comercial Horta, a polícia manteve durante cerca de 3 horas um cerco que visava a procura de armas e droga. Só que as pessoas que passavam, perante o aparato da operação (com polícias encapuzados e apontando armas automáticas) e pensando no enquadramento do momento, já desconfiavam que aquilo tinha algo a ver com Paris…
Não, Abdelhamid Abaaoud não estava no Algarve. O que se está a instalar no Algarve como no Ocidente em geral é o medo, esse sentimento corrosivo que Francçois Hollande não sabe gerir. Dizia-me uma jovem: «Ainda há bocado passou por mim um carro com matrícula árabe e uma mulher de lenço na cabeça… até me faltou a força nas pernas!»…

Antibióticos – vantagens e riscos

18 Novembro 2015

foto joão xavier - antibióticos

Hoje é o Dia Europeu do Antibiótico.
«Antibiótico», curiosamente, significa «contra a vida». Mas muitos de nós, vivos, já teríamos morrido se não tivéssemos no passado tomado um antibiótico adequado para atacar determinadas bactérias que nos estavam a massacrar.
Começaram por ser as peniciclinas, a estreptomicina, o cloranfenicol e as tetraciclinas. Depois, foram descobertos outros antibióticos, para conseguirmos ir sobrevivendo neste planeta cheio de doenças.
Os antibióticos são medicamentos que matam bactérias, mas estas, infelizmente, quando sobrevivem ganham resistências e com diversas mutações vão provocando cada vez mais danos.
Hoje em dia, há 2 problemas acrescidos com o uso de antibióticos: temos criado bactérias multirresistentes e estamos contaminando a mãe natureza.
Este problema, detetado em simples análises das águas residuais, está a espalhar antibióticos em animais e plantas e não temos maneira de o evitar: a nossa urina e as nossas fezes são descargas perigosas… e, como se não bastasse, há quem despeje nos esgotos os antibióticos que já não quer.
Mais exemplos? Quando tomamos um antibiótico, não estamos a matar apenas bactérias patogénicas: estamos também a destruir bactérias que nos são úteis, por exemplo, nos nossos intestinos. Logo, estamos também destruindo as defesas naturais do nosso organismo.
Antibióticos – não tão bons como parecem…

O anel de São Brás de Alportel

17 Novembro 2015

foto joão xavier - anel de são brás de alportel

Normalmente, convencionou-se chamar «circulares» e «variantes» às estradas que fazem um percurso à volta de determinadas urbes, evitando o respetivo centro.
Em São Brás de Alportel, chamam-lhe «anel de circulação».
O fecho do referido anel que circunda a vila serrana mereceu no passado dia 5 de outubro um ato de inauguração e até um monumento em ferro (na foto).
Naquele monumento, com uma representação do concelho sambrasense, há outra curiosidade da terminologia: à parte norte chamam «circular» e à parte sul chamam «variante».
Em português nos desentendemos…

Um exemplo da 1ª República…

16 Novembro 2015

Foto João Xavier - Câmara Portimão

Tenho andado a investigar a 1ª República. Não sei se por uma suspeita inconsciente de que estamos no limiar de uma espécie de réplica, mas o certo é que tenho descoberto coisas muito interessantes…
Vamos então a um exemplo…
Em janeiro de 1918, Sidónio Pais assinou o Decreto nº 3738, que dissolveu, pura e simplesmente, todas as autarquias locais (câmaras municipais e juntas de freguesia)!!!
Motivo: “Muitos corpos administrativos têm assumido uma atitude hostil contra o Govêrno da República Portuguesa, agravada com incitamentos à revolta”…
Ora aqui está uma medida que nenhum Governo da 3ª República teve ainda tomates para tomar.
Em alguns casos, temos visto Assembleias Municipais aprovarem autênticas afrontas ao órgão executivo nacional, mas não é por aí que eu vou.
O que deveria ser legislado era a dissolução de determinadas autarquias locais que protagonizam dívidas enormes e se estão completamente marimbando para os calotes que criam, seja com os fornecedores seja com o próprio Estado.
Já não nos chegariam os dedos das duas mãos para contar as autarquias da 3ª República que teriam ido à poeira. Algumas no Algarve…

Marisa já se apresenta

15 Novembro 2015

foto joão xavier - outdoor marisa matias

Quase em simultâneo com Sampaio da Nóvoa, apareceram no Algarve os outdoors da candidata do Bloco de Esquerda, a eurodeputada Marisa Matias.
Muito bem cotada no Parlamento Europeu, Marisa tem-se destacado pelas iniciativas que toma na área da saúde e tem melhorado muito a sua capacidade assertiva desde que, à sombra de Miguel Portas, conseguiu ser eleita para Estrasburgo.
É nesta jovem estrangeirada que o Bloco de Esquerda investe para ter tempo de antena e visibilidade, apesar de a candidatura poder não chegar ao fim, no caso de as sondagens apontarem na ponta final para uma vitória do candidato da «direita» à primeira volta.
Nos slogans, Marisa volta mostrar que gosta de optar por palavras que podem ter uma interpretação brejeira. Se para ser eleita deputada escolheu uma «de pé» ,agora prefere dar «uma por todos».
Outra curiosidade: se fosse eleita, Marisa diz que a primeira coisa que fazia ao chegar ao Palácio de Belém seria abrir as janelas: «Cheira a bafio!»…


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