Archive for the ‘Editorial’ Category

O terceiro mundo em 2018

9 Janeiro 2018

 

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Em 1973, o Estado português teve um saldo positivo no balanço final de despesas e receitas: o superavit foi, nesse ano, de 1,7% do PIB.

Em 2016, o Estado português teve mais um saldo negativo nesse balanço final, como vem tendo desde 1974: nesse ano, foi de -2,00% do PIB.

Os irresponsáveis que se têm revezado na gestão do Estado desde que a «democracia» foi implantada não sabem, não podem nem querem fazer melhor: caem na teia dos resultados eleitorais, quando o panorama é melhor são despesistas e quando é pior não dão conta da rolha.

Nos últimos dias, temos vindo a observar os relatos e as imagens do estado em que estão os hospitais de Faro e Guimarães, entre outros.

Não são situações invulgares, apesar de ainda há poucas horas o primeiro-ministro António Costa ter dito que as coisas não se avaliam em situações de pico. São situações que eu já vi há mais de 20 anos, por exemplo.

O que aconteceu foi que o Estado se demitiu do papel fulcral que deveria ter nos cuidados médicos. Paga a privados para remendarem o panorama, não tem os médicos, os enfermeiros, os auxiliares, os equipamentos nem os hospitais que deveria ter, corta nas despesas do ministério da saúde para alegadamente «equilibrar as contas»… e tudo isso, obviamente, tem as consequências que a imprensa e os profissionais vão denunciando.

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Um Rennie para Rui Rio, fachavor

8 Janeiro 2018

foto joao xavier - rennie

A campanha para a presidência do PSD está ao rubro.

À falta de melhores argumentos, Rui Rio diz que o seu adversário engrossa a voz por estar atrás nas sondagens.

E Santana Lopes recomendou-lhe 3 medicamentos:

«Quem vive maldisposto deve tomar Rennie, Kompensan e Alkaseltzer.»

O portuense afirma que permitirá ao PS governar sozinho, para que a esquerda não volte a ter acordos de governo em Portugal… o que me deixa perplexo: na hipótese de o PSD ganhar novamente as eleições (ainda é o partido com maior grupo parlamentar…) e se o governo não passar na AR, com Rui Rio na liderança os sociaisdemocratas viabilizarão um governo do PS sozinho, o que me parece uma autêntica bizarria.

Atualmente, Portugal tem um governo sustentado por uma geringonça cujo único objetivo é o de impedirem o PSD de governar. Já basta de palermices!

Perante uma hipótese dessas, então sim, saberíamos por portas e travessas q o ex-autarca do Porto andaria frequentemente a chupar uns rennies…

O Arsenal perdeu-se na floresta

7 Janeiro 2018

foto nottingham - nottingham-4-arsenal-2

Os ingleses chamam-lhe o Floresta e, realmente, o clube que nós conhecemos como Nottingham chama-se mesmo Floresta de Nottingham.

Hoje, apesar de estar na 2ª Liga inglesa, teve um dia de glória: bateu um record de 110 anos!

Na verdade, o Arsenal perdeu hoje por 4-2 para a Taça de Inglaterra e já não levava 4 de um clube da 2ª Liga inglesa (a Championship) há 110 anos!

Como costumo dizer, as estatísticas que a informática veio facilitar dão um sabor diferente ao futebol, pela rapidez com que podemos ter acesso a uma base de dados centenária.

E, apesar de não vivermos do passado, é no passado com encontramos chão firme para as nossas estórias.

Mentes do Desporto – 12 jogos… 12 derrotas

6 Janeiro 2018

foto joao xavier - almancilense B - mentes do desporto

O futebol algarvio regressou hoje ao ativo, depois das férias do Natal e veio com o frio.

Foi à temperatura de 14 graus que o Mentes do Desporto prosseguiu esta tarde o rol de derrotas que lhe tem marcado o campeonato da 2ª Divisão Distrital.

E não são poucas: são 12 derrotas em 12 jogos!

Hoje, em casa do Almancilense B, só aguentou 20 minutos. Rogério, que foi capitão do Algarve CF na época passada, marcou 2 golos de rajada e abriu a contagem que chegou à meia dúzia (6-1).

A arte tuga de fazer obras

5 Janeiro 2018

KODAK Digital Still Camera

A fazer obras, o tuga é um espetáculo!

Depois de serem dados por concluídos os trabalhos de requalificação da Estrada Nacional 125 no Barlavento, eis que, afinal, um velho pontão está a ser destruído, para ser substituído por uma nova infraestrutura!!!

Por isso, o trânsito sofre diariamente constrangimentos diversos com o corte da faixa sul, ali, na Ataboeira, perto da Guia.

Um velho pontão, provavelmente com quase um século, permitia o escoamento de águas de um riacho sob a estrada. Há já algumas décadas, um grande aterro nivelou o piso naquela zona, tendo ficado enterrado o velho alcatrão. Agora, vai tudo fora.

Mais uma curiosidade sobre o modo português como as obras são programadas. Escavar, consertar, tapar, alcatroar, escavar de novo, consertar de novo, tapar de novo e alcatroar de novo…

Aaaai! Uma mulher nuuuuua!

4 Janeiro 2018

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em meados do século passado, Erbo Stenzel e Humberto Cozo construíram uma estátua de uma mulher nua.

Em 15 de junho de 1955, essa estátua foi inaugurada diante do Tribunal de Curitiba, uma cidade brasileira.

Pouco tardou a que os juízes considerassem a referida obra de arte um atentado ao pudor, sobretudo por representar aquilo a que poderemos chamar uma mulher boazuda…

Só passados quase 20 anos, em 30 de agosto de 1972, e por força da vontade popular, a estátua foi arrancada das traseiras do tribunal e colocada numa movimentada praça da cidade!

Estamos a falar de obras em pedra.

Contudo, o imaginário humano vai muito além do frio material rochoso.

Já na antiguidade a representação feminina, com a volúpia das formas sensuais, marcava as artes. Sempre foi havendo quem conteste a nudez na arte, mas sempre a arte prosseguiu o rumo de representar o que é belo. Na praça pública… ou no recato.

Lagoa vermelha

3 Janeiro 2018

KODAK Digital Still Camera

Na cidade de Lagoa, uma zona nobre foi pavimentada de vermelho.

Fez-me logo soar uma grande polémica, porque a cor «não era adequada ao património histórico edificado».

Alguns benfiquistas gostaram. Alguns comunistas também.

Vai sendo tempo de se olhar os pavimentos das cidades sob prismas diversos… ou, no mínimo, menos monocolores.

Problemática é a destruição de património edificado, não é a cor de um pavimento.

Problemática é a descaracterização do traçado urbano ancestral, não é a cor de um pavimento.

Problemática é a terceirização dos edifícios e a fuga dos habitantes para os subúrbios, não é a cor de um pavimento.

2017 não foi o ano mais quente nem o mais seco

2 Janeiro 2018

foto joao xavier- aguaceiro em albufeira

Ao que nos dizem os primeiros balanços preliminares do ano 2017 em termos meteorológicos, o ano que terminou há pouco não foi o mais seco nem o mais quente da História de Portugal.

Os arautos das desgraçadas alterações climáticas esquecem depressa o que passaram noutro passado e acham que o que sofremos em calor e seca no ano 2017 é o sinal mais inequívoco do «aquecimento global».

Afinal, o ano 2017 não foi tão quente como o de 1997. E foi menos seco que o de 2005.

Ainda bem que os registos escritos desmentem os grandes teóricos da meteorologia macaca.

Alterações climáticas sempre houve e há de haver.

Quando vai o ano velho e chega o ano novo

1 Janeiro 2018

foto joao xavier - placa 2017

A passagem do ano (ou, simplesmente, o fim do ano) sempre foi um momento de grandes superstições e de gestos estúpidos.

Sobretudo, exorcizava-se o passado e o ano que morria, dando uns tiros para o ar, partindo loiça velha ou batendo tachos.

Depois, nasceu o «réveillon».

Com os novos paradigmas, passou-se a valorizar a chegada do ano novo e, em vez de se festejar em pequeno grupo, criaram-se espetáculos enormes massificados, onde as pessoas são apenas espetadores. Em vez de nos virarmos uns para os outros, viramo-nos para os artistas no palco.

Muitos decibéis e muito álcool. A alienação.

«É verdade que há muita coisa que não controlamos, mas a nossa parte na equação é decidir o que fazemos com o que nos surge pela frente. É exatamente por isso que as badaladas da meia-noite podem ser importantes. Muito para lá do ruído, se quisermos olhar com olhos de ver, o avançar do calendário mostra-nos o que foi. E convida-nos a escolher o que vai ser.

Não vale a pena suspirar a cada ano que passa, com um discurso nostálgico sobre o tempo que corre. Nem lamentar os cabelos brancos e as rugas que vão surgindo quando nos olhamos ao espelho.» – escreveu na Notícias Magazine a jornalista Inês Cardoso.

Venha, pois, 2018, com o arraial de esperanças e medos que tudo o que é novo carrega. Massificados estamos… e cada vez mais parolos, sem reflexões profícuas, porque quem manda são o barulho, os vícios e os telemóveis.

Cada vez mais bebés de pais separados

31 Dezembro 2017

Foto João Xavier - Bebé a mamar

Segundo dados estatísticos recentes, 1 em cada 5 bebés nascidos em Portugal não tem os pais a viver juntos!

A falta de coabitação tem causas diversas.

O que poderemos chamar «famílias solitárias» (um modelo a que os ingleses chamam «living apart together») deriva essencialmente dos egoísmos que plantámos.

Há, na verdade, modelos diferentes de procriação. Há quem engravide por acaso e não desista de pôr mais um ser no mundo; há quem entre em rutura conjugal durante a gravidez; há quem queira simplesmente comprovar que não é estéril; há quem use o outro apenas como «cobridor» ou como «parideira»…

O certo é que, cada vez mais, o padrão de os portugueses criarem filhos a solo vinca-se na nossa sociedade (de 6,3% em 2006 passámos para 17,1%).

Paradoxalmente, esta estatística é mais grave que a dos 52%, que é a percentagem dos bebés que nascem em Portugal filhos de pais não casados. É que muitos destes pais não casaram mas vivem em união de facto.

Os valores familiares e da parentalidade estão a tornar-se cada vez mais «interessantes»…