Archive for the ‘Editorial’ Category

A nova nota de 20 euros

27 Dezembro 2015

Foto João Xavier - Nova nota de 20 euros

As novas notas de 20 euros já por aí vão circulando e testemunham bem as limitações que tolhem a União Europeia.
O Banco Central Europeu, para não ferir suscetibilidades, opta mais uma vez por estilos arquitetónicos como padrão de ilustração.
Num continente com tanta História e com tantas referências de topo na edificação e no historial humano e natural, não se opta por monumentos concretos, nem por pessoas que marcaram a História europeia, nem por animais, plantas ou paisagens europeias.
É uma aberração.
Parece que estão metidos num colete de forças e não conseguem ultrapassar os pruridos nacionais!

Uma candidata contra o acordo ortográfico

26 Dezembro 2015

foto joão xavier - outdoor de maria de belém

Agora que já 10 candidatos formalizaram no Tribunal Constitucional os processos oficiais de candidatura a Presidente da República, é a vez de aqui trazer o 4º outdoor da nossa coleção no Algarve: o de Maria de Belém.
A pequerrucha ex-Presidente do PS, que aposta tudo num 2º lugar que lhe dê acesso à 2ª volta, arrancou a sua campanha em grandes cartazes com um erro: apresenta-se como uma mulher de «carácter», quando o acordo ortográfico em vigor (tornado lei pelo Estado português…) retirou o «c» e só reconhece a palavra «caráter»!
Ao que transpira cá para fora, a candidatura da Maria humanista e socialista tem esperança que Marcelo Rebelo de Sousa não chegue aos 50% (marca que já ultrapassa em algumas sondagens), sobretudo devido ao peso dos votos em Sampaio da Nóvoa, Edgar Silva e Marisa Matias. E tenta esquecer que, também nas primeiras sondagens, quem vai em 2º lugar é o ex-reitor e não ela…
Com um currículo de presidente de diversos órgãos e instituições, Maria de Belém diz que o seu apoio mais decisivo foi o de Manuel Alegre, precisamente o candidato que há 5 anos mais fracionou o PS, por concorrer «contra» Mário Soares.

O gajo que implodiu o Hospital de São José

25 Dezembro 2015

foto agenda lx hospital são josé

David Duarte, português de 29 anos de idade, curtia a vida. Usava umas barbas negras com bigode retorcido e esburacara as orelhas com uns orifícios centimétricos. Realizava-se no mundo da fotografia. Estava a montar um estúdio em Santarém e iniciara na semana anterior a vida conjugal com a namorada de há 3 anos.
No passado dia 11, após o almoço, ficou paralisado do lado direito e deixou de conseguir falar. Em pânico, foi levado para o Hospital de Santarém.
Com uma hemorragia cerebral,foi transportado ao anoitecer para o Hospital de São José, onde deveria ser sujeito a uma cirurgia de emergência… só que… “ao fim de semana não iria haver equipa de neurocirurgiões” e por isso ele “iria aguardar até segunda feira de manhã”.
Não aguardou. Morreu.
Na sequência da divulgação pública do caso por familiares, pediram a demissão a presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Central, o presidente do Centro Hospitalar de Lisboa Norte e o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
Esta autêntica implosão de altos «responsáveis» do sistema de saúde é tema de toda a imprensa portuguesa.
O caso do David nem sequer foi o primeiro deste ano. Um outro caso similar tinha ocorrido com uma sexagenária. Porque em Portugal o fim de semana é mais sagrado que o direito à vida!
Seria muito interessante que aos fins de semana as polícias e os bombeiros não respondessem às emergências, para poderem dar esses dias de descanso aos seus funcionários.
As democracias europeias vivem esta coisa das regalias dos trabalhadores com uma leviandade atroz. E é preciso alguém pagar com a vida, para parecer que acordámos de uma letargia qualquer.
«Perdi o meu grande amor, o meu melhor amigo, o meu pilar. Quero-te de volta, o teu sorriso, as tuas palavras, o teu carinho, a pessoa maravilhosa que eras.» – escreveu Elodie, a namorada do David. Mas a vida não volta atrás.

Façam o presépio e deixem-se de invenções

24 Dezembro 2015

Foto João Xavier - Menino Jesus

Ultimamente, tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos a construção de presépios em que a imagem do Menino Jesus só é colocada na noite do Natal!!!
Vê-se isto em cada vez mais igrejas! Colocam Maria e José especados a olharem para a manjedoura vazia.
O presépio, na sua essência franciscana, representa a cena dos primeiros dias de Jesus: com os animais do estábulo, com Maria, com José e com o bebé que nasceu para nos dizer que o mundo de vaidades, sacanices e egoísmos não é o que nos faz cumprir a vida.
O Menino Jesus é a figura central de qualquer presépio, não é uma figura ausente.
Se quiséssemos tanto rigor temporal, teríamos de começar por ter no presépio Maria grávida…
Façam o presépio e deixem-se de invenções estúpidas!

O Banif é apenas mais um…

23 Dezembro 2015

Foto João Xavier - Boné do Banif

O governo português vendeu o Banif a um banco espanhol. Num instante houve letras a serem substituídas na sede principal, com a venda a desbarato a deixar o Estado português a arder com mais uns milhões de euros que se esfumam como se fossem nevoeiro.
Depois (note bem: «depois»!!!), foi apresentada na Assembleia da República a proposta para financiar com o orçamento estatal o descalabro da gestão do banco madeirense!
Os partidos da esquerda votaram contra. E fizeram muito bem!
O CDS votou contra. E fez muito bem!
Quem salvou a jogatana? O PSD!
Se não fossem os sociaisdemocratas, o Banif teria sido dado como falido e apenas os depositantes teriam direito a saldos até 100 mil euros.
O Zé portuga, artista da corrupção, do desenrascanço e do enriquecimento rápido, estoira com os bancos como se fossem balões… mas vai contando com os políticos do «centrão» para atirar areia para o ar. Foi assim com o PS, foi assim com o PSD e volta a ser agora assim com o PS.
Dizia-se por aí que a política portuguesa tinha mudado com as eleições de 4 de outubro. Constata-se que já não são as mesmas as moscas que andam zunindo…

A maltratada calçada portuguesa

14 Dezembro 2015

foto joão xavier - calçada av josé mealha loulé

Cada vez há mais pessoas a olharem para as pedras que pisam: a calçada portuguesa é um tipo de pavimento onde a beleza se alia à prática… e a imprensa tem amiúde focado a originalidade dos nossos passeios.
O exemplo que aqui trago hoje é um mau exemplo: na avenida mais tradicional de Loulé, a calçada tem remendos bizarros, sem qualquer respeito pela traça original!
O desenrascanço de usar pedras encarnadas onde só são usadas pedras brancas e pretas é, no mínimo, um caso de mau gosto…

A falha sísmica da Eira de Agosto

13 Dezembro 2015

Foto João Xavier a 515 metros de altitude - Eira de Agosto

Já várias vezes, ao passear pela Estrada Nacional 2, fiz um pequeno desvio para subir ao marco geodésico da Eira de Agosto.
O que eu só recentemente descobri é que aquela zona é a referência de uma das falhas sísmicas ativas do Algarve.
A falha sísmica da Eira de Agosto tem a extensão de 7 Km, na direção noroeste / sudeste, estando referenciada como um dos acidentes tectónicos que marcam a região algarvia e formando aquilo a que alguns peritos chamam «escarpa de falha».
É uma falha sísmica ativa com uma componente de movimentação vertical de estilo ainda desconhecido e também com alguns movimentos indeterminados, segundo os mais recentes estudos da sismotectónica do Algarve.
A superfície sobre a falha da Eira de Agosto é diversa: apresenta relevos de dissecação (com grandes acidentes morfológicos provocados por riachos torrenciais) mas também superfícies de aplanação (com bons solos pouco desgastados pela erosão hídrica).
Não há registo de sismos históricos importantes com epicentro na falha da Eira de Agosto.

António Costa e os automóveis

12 Dezembro 2015

foto joão xavier - acidente na EN 125

Na entrevista que deu na semana passada ao jornal Público, o primeiro-ministro António Costa fez, de repente, uma alusão a carros para se explicar em relação aos problemas da economia portuguesa.
Comecei por não dar importância à alusão e chamou-me mais a atenção a tristeza da ambiguidade em várias justificações que o líder socialista apresenta para as zonas de penumbra da sua política, sujeito que está às pressões dos camaradas do BE e do PCP.
Só mais tarde voltei a ler a entrevista à procura daquela passagem.
Um jornalista perguntou-lhe que instrumento terá na sua mão se tiver de contrair a despesa. António Costa respondeu:
«É como um automóvel. Não há automóveis só com travão, nem só com acelerador.»
O jornalista insistiu: «Qual é o seu travão?» E António Costa respondeu:
«É preciso conduzir. Governar não é ligar o piloto automático.»
Para memória futura…

A rotunda do cruzado

11 Dezembro 2015

foto joao xavier - rotunda do cruzado

Num tempo em que tanto voltamos a ouvir muçulmanos a falar da luta contra os cruzados, temos uma rotunda nova em Castro Marim: exatamente uma rotunda dedicada aos cruzados que se estabeleceram naquele sítio e ali sedearam ordens religiosas.
O trabalho em metal tem imponência e marca a saída norte da povoação, que vai dando passos pequeninos para se expandir além da urbe centenária.
Castro Marim teve a sua História não umbilicalmente ligada à Reconquista Cristã no séc. XIII e no século seguinte com as Ordens dos Templários e de Cristo.
Já nos séc. XV, XVI, XVII e XVIII, foi terra de desterro; e foi sendo cada vez mais ultrapassada no povoamento e no desenvolvimento que no séc. XX só tinha olhos para o litoral.
Os cruzados ficaram para a História, mas mais valioso é o que se vai descobrindo do povoamento daquela zona cerca de 5000 anos antes de Cristo.
Os novos cruzados, esses, deixaram os cavalos em terra e armam-se agora em valentões mandando bombardeiros e drones. Coisas de uma civilização que pouco aprendeu.

Um padre para defender a Constituição

10 Dezembro 2015

foto joão xavier - outdoor edgar silva

As Presidenciais já chegaram ao Algarve. O 3º candidato com outdoor nesta região é Edgar Silva, o candidato do PCP.
Se alguém andava distraído e não percebeu com que linhas se coseu a atual Constituição da República Portuguesa, basta ver as prioridades do candidato vermelho para ficar a saber: Edgar quer ter como linha mestra da sua postura «Cumprir a Constituição».
O padre madeirense que agora é deputado regional não gosta muito de falar no seu passado clerical, que é, curiosamente, a linha de partida que os jornalistas encontram quando o entrevistam.
Notoriamente pouco à vontade, o candidato do PCP é mais um comunista a quem o partido dá um prémio de notoriedade. Assim fez com outros dirigentes no passado e assim continua. Um investimento que capitaliza popularidade e calo para o futuro…


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