Archive for the ‘Educação’ Category

Sabem voar, mas não sabem aproveitar

10 Abril 2017

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Era uma vez uma rola.

Gostava de esvoaçar e fazer umas piruetas, mas não dispensava uns grãozinhos de trigo que um vizinho espalhava para os seus pombos.

Um dia, no alvoreamento da gula ou da fome, não se apercebeu da presença de um gato que a espreitava.

Quando reparou, já as garras a dilaceravam…

De nada lhe serviu saber voar!

Lembrei-me disto com a estória que agora anda na imprensa internacional: centenas de jovens portugueses foram expulsos de Espanha devido às tropelias que fizeram num hotel onde estavam alojados para festejar o ano de finalistas do ensino secundário…

Na estupidez dos seus verdes anos, muitos jovens abdicam do bom senso e da lucidez e deixam-se (literalmente ou não) embriagar na loucura maior do convívio vazio e alucinado.

Hoje em dia parece lei: os jovens têm de ser deixados ao deus-dará, entregues à parvoíce e à leviandade.

Passar as férias da Páscoa com os pais? Isso é careta. Viver entre pares, como se o mundo acabasse amanhã é que é.

Já Mário Soares dizia que a juventude é uma doença que passa com o tempo. Só que às vezes deixa marcas graves… quando os jovens sabem voar mas deixam-se apanhar como ratos…

 

A (in)segurança infantil

6 Abril 2017

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Há quem pense que a segurança infantil nunca esteve tão bem, mas o panorama tem muitas exceções.

O que todas as autarquias deveriam saber era que as normas de segurança infantil deveriam reger todos os pormenores das construções das escolas e dos jardins de infância. Contudo, é fácil encontrarmos autênticos atentados à integridade física das crianças que frequentam esses estabelecimentos.

O caso que aqui trago hoje é o da Escola de São Luís, em Faro.

O recreio daquela escola do centro de Faro já foi enorme. Chegou a ser um vasto terreiro originalmente cortado ao meio, para separar meninos de meninas… chegou a estar pejado de árvores… mas tudo mudou.

Aos poucos, com o passar dos anos, foi ficando cada vez menor, com a construção de edifícios anexos.

Agora é uma aberração. E, como se não bastasse a exiguidade do espaço para tantas crianças, ainda lhe colocaram barras de sustentação de um tejadilho, pouco recomendadas, como é óbvio, para as correrias e as tropelias próprias de crianças entre os 6 e os 10 anos de idade.

Haja bom senso!

 

Burra, burróide, estúpida e filha da puta

21 Março 2017

foto jose gonçalves - escola ortigueira

Segundo o Ministério Público de Braga, uma professora de 52 anos de idade chamava a uma aluna de 7 anos: «burra, burróide, estúpida e filha da puta»!

Provavelmente, a primeira coisa que muitas pessoas pensam ao ler aquilo é: «Burra, burróide, estúpida e filha da puta deve ser ela!»

O problema, contudo, precisa de uma análise mais cuidada.

Temos de perceber que, nos últimos anos, os professores, em vez de profissionalmente se preocuparem quase em exclusivo com as pessoas que são os seus alunos, têm de se preocupar, sobretudo, com as estatísticas.

Temos de perceber que há cerca de uma década os professores do 1º ciclo do ensino básico aposentavam-se aos 52 anos de idade.

Temos de perceber os níveis de stress e ansiedade que levam tantos professores a situações de «burnout».

Temos de perceber os riscos psicóticos de quem trabalha hoje em dia nas escolas portuguesas.

Temos de perceber os índices de violência e má organização em ambiente escolar.

Percebendo tudo isto, entendemos melhor os episódios que vão chegando à imprensa… sem desculpabilizar quem persiste na atividade docente quando já chegou ao fim da linha…

 

As mulheres não têm tomates

8 Março 2017

tomates

Na Notícias Magazine, a jornalista Catarina Pires escreveu:

“Não voltem a usar como elogio a expressão «é uma mulher de tomates». Por tomates entenda-se testículos. As mulheres não têm. É da anatomia. E, no entanto, é comum dizer-se de uma mulher com coragem, determinação, força, que têm tomates. Os homens, por seu lado, têm todos tomates, mas só alguns é que têm o resto. Talvez já fosse tempo de atualizarmos também as metáforas.”

Hoje, que é dia da mulher, quero aqui deixar o meu voto para que as mulheres deixem de querer imitar os homens.

A humanidade é bastante bela com os dois géneros. Não é preciso que os homens se efeminem nem as mulheres se masculinizem.

A masculinidade fica bem nos homens e a feminilidade fica bem nas mulheres.

A igualdade deve existir é nos direitos e nos deveres.

O feminismo do século XXI

27 Fevereiro 2017

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Cada vez entendo menos o feminismo do séc. XXI.

Eu pensava que o feminismo vincava as características das mulheres e reivindicava um tratamento digno por parte dos homens.

Pensava que ser feminista significava evitar ter tiques machistas.

Pensava que ser feminista era o oposto de exibir o corpo feminino, tão facilmente erotizado.

Afinal, enganei-me.

Ultimamente, os movimentos femininos primam por mandar para determinados locais com mass media uma ou mais mulheres nuas ou em top less!

O caso mais recente ocorreu diante de Marine Le Pen, candidata presidencial francesa, que, de improviso, comentou: «O mundo é como é e não como eu gostaria que fosse!»

Faço minhas as palavras de Marine. A emancipação feminina deve exibir-se no trabalho e no quotidiano. Deve exibir-se… sem exibicionismos.

 

Chegar mais acima

20 Fevereiro 2017

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Há uns anos, sonhava com frequência que voava. Literalmente.

Mesmo sem asas, via-me a sobrevoar o bairro onde vivia, planando prazenteiramente e descendo com suavidade.

Eram sonhos magníficos que, ao acordar, me deixavam perplexo. Como era possível eu estar a ver do ar aquilo que, acordado, nunca do ar tinha visto?

Acredito a que vida tem dimensões que a gente não entende. E, segundo alguns especialistas, sonhar que estamos a voar significa felicidade e alegria.

Na vida terrena, de facto, é preciso saber voar. É preciso querer voar mais alto do que a nossa dimensão simples de caminhantes.

Na vida, devemos tentar voar. Tentar voar além da mediocridade e do comodismo. Sem essa dimensão, abdicamos de melhores projetos e acomodamo-nos.

Lembrei-me de tudo isto quando há dias estive na capela da Senhora da Rocha e fiz esta foto. Não foi preciso voar para ver as gaivotas a voar bem mais abaixo que eu.

Chegar mais acima às vezes não é tão difícil como parece.

 

Portugal com professores e polícias a mais

9 Fevereiro 2017

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O mais recente relatório da OCDE sobre Portugal foi anteontem apresentado com pompa e circunstância, na presença de quase metade do governo português.

Este pormenor ridículo fez até o enviado especial rir, na conferência. Mas o que mais interessa não é isso, nem a fanfarronice, nem a aparente benevolência de dados matemáticos sobre determinadas previsões orçamentais.

A dado passo, a OCDE considera que… em Portugal há professores a mais e polícias a mais.

Quanto aos professores, só podem ser considerados a mais se não investirmos melhor na qualidade do ensino, diretamente dependente do rácio professor/alunos, que tem forçosamente de diminuir, tal é a problemática social, cultural e intelectual dos discentes que entram nas escolas.

Quanto aos polícias, tem sido por demais evidente que o poder político em Portugal tem aumentado excessivamente o número de agentes policiais e tem-nos concentrado também em excesso, numa tentativa de, por um lado, sentir as costas quentes e por outro diminuir determinadas despesas…

 

Mutilação genital, não!

6 Fevereiro 2017

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Para reduzir a excitação sexual, há em muitas comunidades africanas a tradição de retirar o clítoris às mulheres!

Consta que em Portugal vivem mais de 6 mil mulheres excisadas! E a ONU estima que no mundo são 140 milhões!

O que aparece como identidade cultural acaba por ser uma aberração, sobretudo porque muitas vezes acarreta infeções e sofrimento atroz.

Hoje é o dia internacional da tolerância zero à mutilação genital feminina. Faça eco disso! Nada do que Deus nos dá está a mais!

 

Escola com 32 anos vai abaixo

2 Fevereiro 2017

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Fui hoje surpreendido por uma notícia relativa a Quarteira: vão ser gastos mais de 4 milhões de euros para destruir os edifícios da Escola D. Dinis e construir novas instalações!!!

Diz a notícia que «a escola encontra-se em avançado estado de degradação» e «os antigos edifícios vão ser demolidos»!!!

Para esclarecer os mais incautos, convirá dizer que a escola em causa tem… 32 anos!!!

Com mais de 60 anos, as escolas de Salazar continuam de pé, robustas e servindo para instituições e serviços diversos. Com apenas 3 décadas, as escolas da «democracia portuguesa» começam a arrear!!!

Este é mais um exemplo do portugal pequenino que temos construído nas últimas décadas: um portugal à medida dos interesses eleitorais mesquinhos, sem grandes horizontes, para durar pouco.

Quem vier a seguir que se amanhe…

 

Abaixo o hífen

1 Fevereiro 2017

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O hífen é um elemento espetacular da escrita! É pequenino (costumamos chamar-lhe «tracinho») e de nada serve, senão para complicar.

Ok! Eu sei que a sua ausência poderá provocar leitura deturpada de algumas palavras, se seguirmos à letra determinadas regras de acentuação e de pronúncia…

Isso, contudo, não serve de desculpa: há diversas palavras homógrafas em que são aplicadas regras de entoação díspares.

No caso que aqui hoje trago, de uma declaração de amor grafitada em Olhão, «amote» deveria ser lido a rimar com «trote». Mas ninguém o faz: toda a gente percebe que o apaixonado (ou simplesmente o excitado) queria dizer «amo-te».

Provavelmente, usamos e abusamos desnecessariamente do hífen…