Archive for the ‘Educação’ Category

A devassa da vida privada

17 Janeiro 2018

super nanny

No ano 2008, a Unicef considerou que a matriz do programa Super Nanny é um atentado contra os direitos da criança. Contudo, em 2018, a SIC avançou com a versão portuguesa.

A devassa da vida privada é uma vergonha.

Uma mãe vê-se à rasca com os comportamentos da filha de 7 anos e permite que a televisão filme e publique.

Obviamente, está deflagrada a polémica.

A criança é a principal prejudicada. Tirando uma ou outra dica que possamos aproveitar, a essência do programa é deveras reprovável.

Valem as audiências. E, neste como em outros casos, o «vale tudo» dos novos big brothers está acima das críticas.

É verdade que cada vez temos mais tiranos e miniditadores em casa. Mas esse é um problema que, tendo causas dentro e fora das famílias, é apenas mais um sinal dos tempos que correm, de uma sociedade cada vez mais doente e desequilibrada, abdicando de valores ancestrais e criando novos protagonistas para ofuscar frustrações…

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Bosta, esterco, trampa, latrina ou merda?

16 Janeiro 2018

in espaço livre jô pinto

Outro episódio interessante protagonizado por Donald Trump é o dos atributos com que classificou recentemente alguns países «menores».

A imprensa portuguesa elevou os parâmetros da anedota, ao não conseguir traduzir a palavra «shitholes».

Comecei por ouvir dizer que Trump tinha ofendido alguns países de migrantes chamando-lhes bosta. Depois, esterco. Depois, latrinas. A seguir, trampa. Umas horas mais tarde, merdosos. E ainda há pouco, porcaria.

Só isto dá vontade de rir.

Eu sei que o tuga não é exclusivo deste anedotário. Um senador dizia que «Trump usou uma palavra que não podemos pronunciar em nossa casa ao pé das crianças»!…

O que vale é que de coisas sérias também podemos rir um bocado…

Belmiro de Azevedo

1 Dezembro 2017

foto rui duarte silva - belmiro de azevedo

Almocei com Belmiro de Azevedo há uns 10 anos, num restaurante de Porto de Mós, perto de Lagos.

O amor ao Algarve era um dos «segredos» do grande empresário que chegou a ser o multimilionário mais rico de Portugal.

Belmiro de Azevedo era um aquariano. Também pouca gente sabia disso. Mas ele corporizava muitas das características dos nativos de aquário. Era sonhador e dono do seu nariz. Era obstinado, íntegro, austero, competente, frontal, heterodoxo e desafiador.

Contava que chumbou na 1ª classe porque teve um professor incompetente. E chegou longe porque o seu novo professor primário o incentivou a isso mesmo. Não precisamos esconder que há professores incompetentes. Deparamos com alguns ao longo da nossa vida. Mas devemos elogiar os que marcam a vida de tanta gente pela positiva. Não é tudo farinha do mesmo saco.

Foi precisamente pela competência que ele distinguia os trabalhadores: pagando mais aos mais competentes. Sabendo que para sermos gente precisamos de inspiração mas também de muita transpiração. Sem precisarmos de andar sempre a sorrir.

Podemos aprender muito com Belmiro de Azevedo, mesmo depois da sua morte.

Quando as crianças incomodam…

3 Novembro 2017

KODAK Digital Still Camera

Tem vindo a lume na imprensa nacional mais um caso de agressões a bebés: neste caso, num centro infantil de Faro.

Algumas crianças apareciam com marcas «suspeitas», geralmente vermelhidões e hematomas.

Alegadamente, havia ali funcionárias que batiam nos putos.

Consta que a Cáritas envidou esforços no sentido de que o Ministério Público investigue as agressões.

Este caso, como muitos outros similares, deve servir para alertar os pais. É incrível como muitos aceitam os hematomas e as feridas como «naturais» e nem se preocupam em ouvir e interpretar as desculpas que lhes são apresentadas.

Hoje em dia há gente que trabalha com crianças como se trabalhasse com batatas. Sem sensibilidade e com muita ratice.

Os pais, perante casos similares, devem logo fotografar as marcas e até levar as crianças a um hospital para serem observadas e avaliadas as hipóteses de ter havido negligência grave ou agressão.

É pena que em alguns infantários / creches se vivam ambientes fechados em que todos se encobrem e as crianças indefesas são manipuladas e ameaçadas e até há educadoras que se preocupam sobretudo a «ensinar» às crianças que o que ali se passa não se conta em casa.

Aberrações que nos compete banir…

O exército e o povo

24 Outubro 2017

 

foto joao xavier - botao do exercito

Longe segue, para a penumbra das memórias, o tempo em que eu servi o exército, no cumprimento de serviço militar obrigatório.

Cumpri-o como se fosse profissional, com o máximo de zelo, brio e esforço, sem qualquer prazer que não fosse exatamente esse. Fui em 3 ocasiões instrutor de recrutas e em outras 3 comandante de pelotão.

Por causa desse cumprimento, fui prejudicado na carreira docente e atirado para o último escalão dos concursos. Mas cumpri o que tinha a cumprir, com o sentido do dever e o civismo da entrega às obrigações que o Estado me impunha.

Hoje em dia, essa dimensão do dever e do serviço diluiu-se. O serviço militar obrigatório foi extinto e o país abdica de uma formação devida a muitos jovens que vão polindo paredes e esvaindo no ócio nem-nem as matrizes da honradez e da verticalidade.

Hoje, 24 de outubro, é Dia do Exército Português.

É tempo para refletirmos que forças armadas estamos a criar e a sustentar, postas ao serviço de potências estrangeiras e como que divorciadas do povo.

Há que restituir o exército ao povo!

Tiroteio na Penha

26 Setembro 2017

KODAK Digital Still Camera

O início do dia foi hoje marcado a sangue na Penha, em plena capital algarvia.

Um indivíduo foi alvejado a tiro e o sangue ficou pelo chão, junto à agência do Montepio naquela zona «universitária».

É mais um exemplo da criminalidade que vai passando impune, com armas que ninguém controla e com negócios que são uma economia paralela, também ela uma doença da sociedade.

Quando a marginalidade é muito mais que uma microfaixa social, é a própria sociedade que está doente.

Não queremos ver. Fingimos não ver. Impomos sorrisos para evitar reflexões sérias. E a realidade que mais preferimos vai sendo a que é virtual.

A realidade nua e crua, contudo, teima em mostrar-se. A ferro e fogo. Com lágrimas e com sangue.

Um diploma é fogo que arde sem se ver

20 Setembro 2017

foto joao xavier - bombeiro santa comba dao

Ecoam ainda, na imprensa e no governo, os novos escândalos das licenciaturas obtidas no Politécnico de Castelo Branco, por diretores da Proteção Civil, incluindo o chefão operacional.

Ao que consta, Rui Esteves, comandante nacional operacional, fez apenas 4 das 36 disciplinas da licenciatura!!!

O esquema das «equivalências» tão propagandeadas por Sócrates não é um caso de justiça social: é um caso de oportunismo e de dúbia coerência.

Curioso no meio de tudo isto é que o Esteves já se demitiu por causa disso. Mas não se demitiu anteriormente, quando era flagrante o gravíssimo descalabro da Proteção Civil, durante o incêndio de Pedrógão Grande que provocou mais de 64 mortes.

Resumindo e concluindo: há diplomas que são fogo que arde sem se ver!

 

Queres um filho para quê?

15 Setembro 2017

KODAK Digital Still Camera

Até ao presente, ninguém se questionava para que queria ter filhos.

Os filhos vinham na sequência da vida sexual e somavam-se uns aos outros, chegando mesmo os mais velhos a ajudar a criar os mais novos.

Com o alvor dos métodos anticoncecionais e com o chamado «planeamento familiar», a natalidade caiu drasticamente e é banal perguntarmos para que queremos ter filhos.

A pergunta é sobremodo pertinente, diante do comodismo e do consumismo que marcam a nossa sociedade atual.

Formatados para o prazer, os jovens retardam a procriação e facilmente vão dizendo que não querem filhos «para já»…

Depois, com a chegada da idade dos 30, aí sim, vai sendo mais notada a procura de um filho, quantas vezes com intervenção médica que repare anos e anos de anticoncecionais.

E porquê?

Porque é que ainda há gente a querer ter filhos?

A pergunta impõe-se.

Vale a força da natureza, que nos vinca a mortalidade e nos impele a deixarmos cá alguém «do nosso sangue». E a nível social, surge então, na fase das trintonas, um modo de se distinguirem das mais imaturas.

Um filho dá muito trabalho. E dá muita despesa.

Um filho estraga o sono de muitas noites. E dá muitas preocupações.

E, ao contrário do que sempre sucedeu (com as jovens a parirem), agora é já numa fase de maturidade que surge a maternidade.

Para que queremos ter filhos? Uma pergunta nova com resposta cada vez mais difícil…

 

Cansei-me de não ter vida

24 Agosto 2017

foto joao xavier - sandra correia

Em dezembro de 2011, estive pela primeira vez com Sandra Correia, durante uma conferência na Universidade do Algarve.

Hoje, o Diário de Notícias dedicou-lhe 4 páginas inteiras.

Esta algarvia marafada, filha de César Correia, tem vivido para o trabalho de forma exagerada. Quando estive com ela percebi isso mesmo: faltava ali qualquer vertente.

Hoje, ela confessa: «Cansei-me de não ter vida. Acordava na China, jantava em Lisboa e almoçava em Nova Iorque».

A ilusão de sucesso que muitas vezes nos é injetada por pessoas com grandes lucros fica facilmente turvada pela falta de um lado familiar no quotidiano. Por isso mesmo Sandra responde, quando questionada se tem filhos: «Não, tenho um cão-de-água com 5 anos.»

Sandra Correia tem mostrado ao mundo que tem horizontes muito além do Algarve. Mas vai ser no Algarve que, um dia, vai perceber melhor que a vida é multifacetada…

 

As caralhadas do Manel

21 Agosto 2017

Foto João Xavier - Jorge Sousa irritado no Algarve

Chama-se Manuel Jorge Neves Moreira de Sousa, mas na arbitragem é conhecido como Jorge Sousa.

No jogo do Sporting B do passado fim de semana, para a 2ª Liga, exaltou-se na formação de uma barreira e gritou para o guardião leonino:

«Estás a falar para quem, caralho? Estás a falar para quem, caralho? Para a baliza. Mas que brincadeira? Eu não brinco com ninguém, caralho. Põe-te na puta da baliza. Mas que é isto, eu não brinco com ninguém, caralho. Quem é que está a brincar? Eu não brinco com ninguém».

Este grande exemplo de serenidade e caráter num árbitro com as insígnias da FIFA diz muito sobre o seu perfil, confirmando que há também ali uma qualquer embirração com as barreiras, como eu fotografei em 2012.

Há uns bons anos, estava eu a arbitrar um jogo, quando vi 3 jogadores notoriamente exaltados com um árbitro assistente. Corri para o local a perguntar o que se passava e um dos futebolistas disse-me que o «fiscal-de-linha» o tinha mandado pró caralho.

Na cabine, questionei o meu colega que depressa confirmou: «Sim, mandei-o. Ele só estava a dar-me cabo dos cornos.»

Na segunda feira, tratei logo de informar o conselho de arbitragem que aquele elemento não faria mais um único jogo comigo. O meu padrão de conduta está, felizmente, muito acima daquele nível…

Aja cada um conforme a sua consciência.