Archive for the ‘Educação’ Category

Tiroteio na Penha

26 Setembro 2017

KODAK Digital Still Camera

O início do dia foi hoje marcado a sangue na Penha, em plena capital algarvia.

Um indivíduo foi alvejado a tiro e o sangue ficou pelo chão, junto à agência do Montepio naquela zona «universitária».

É mais um exemplo da criminalidade que vai passando impune, com armas que ninguém controla e com negócios que são uma economia paralela, também ela uma doença da sociedade.

Quando a marginalidade é muito mais que uma microfaixa social, é a própria sociedade que está doente.

Não queremos ver. Fingimos não ver. Impomos sorrisos para evitar reflexões sérias. E a realidade que mais preferimos vai sendo a que é virtual.

A realidade nua e crua, contudo, teima em mostrar-se. A ferro e fogo. Com lágrimas e com sangue.

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Um diploma é fogo que arde sem se ver

20 Setembro 2017

foto joao xavier - bombeiro santa comba dao

Ecoam ainda, na imprensa e no governo, os novos escândalos das licenciaturas obtidas no Politécnico de Castelo Branco, por diretores da Proteção Civil, incluindo o chefão operacional.

Ao que consta, Rui Esteves, comandante nacional operacional, fez apenas 4 das 36 disciplinas da licenciatura!!!

O esquema das «equivalências» tão propagandeadas por Sócrates não é um caso de justiça social: é um caso de oportunismo e de dúbia coerência.

Curioso no meio de tudo isto é que o Esteves já se demitiu por causa disso. Mas não se demitiu anteriormente, quando era flagrante o gravíssimo descalabro da Proteção Civil, durante o incêndio de Pedrógão Grande que provocou mais de 64 mortes.

Resumindo e concluindo: há diplomas que são fogo que arde sem se ver!

 

Queres um filho para quê?

15 Setembro 2017

KODAK Digital Still Camera

Até ao presente, ninguém se questionava para que queria ter filhos.

Os filhos vinham na sequência da vida sexual e somavam-se uns aos outros, chegando mesmo os mais velhos a ajudar a criar os mais novos.

Com o alvor dos métodos anticoncecionais e com o chamado «planeamento familiar», a natalidade caiu drasticamente e é banal perguntarmos para que queremos ter filhos.

A pergunta é sobremodo pertinente, diante do comodismo e do consumismo que marcam a nossa sociedade atual.

Formatados para o prazer, os jovens retardam a procriação e facilmente vão dizendo que não querem filhos «para já»…

Depois, com a chegada da idade dos 30, aí sim, vai sendo mais notada a procura de um filho, quantas vezes com intervenção médica que repare anos e anos de anticoncecionais.

E porquê?

Porque é que ainda há gente a querer ter filhos?

A pergunta impõe-se.

Vale a força da natureza, que nos vinca a mortalidade e nos impele a deixarmos cá alguém «do nosso sangue». E a nível social, surge então, na fase das trintonas, um modo de se distinguirem das mais imaturas.

Um filho dá muito trabalho. E dá muita despesa.

Um filho estraga o sono de muitas noites. E dá muitas preocupações.

E, ao contrário do que sempre sucedeu (com as jovens a parirem), agora é já numa fase de maturidade que surge a maternidade.

Para que queremos ter filhos? Uma pergunta nova com resposta cada vez mais difícil…

 

Cansei-me de não ter vida

24 Agosto 2017

foto joao xavier - sandra correia

Em dezembro de 2011, estive pela primeira vez com Sandra Correia, durante uma conferência na Universidade do Algarve.

Hoje, o Diário de Notícias dedicou-lhe 4 páginas inteiras.

Esta algarvia marafada, filha de César Correia, tem vivido para o trabalho de forma exagerada. Quando estive com ela percebi isso mesmo: faltava ali qualquer vertente.

Hoje, ela confessa: «Cansei-me de não ter vida. Acordava na China, jantava em Lisboa e almoçava em Nova Iorque».

A ilusão de sucesso que muitas vezes nos é injetada por pessoas com grandes lucros fica facilmente turvada pela falta de um lado familiar no quotidiano. Por isso mesmo Sandra responde, quando questionada se tem filhos: «Não, tenho um cão-de-água com 5 anos.»

Sandra Correia tem mostrado ao mundo que tem horizontes muito além do Algarve. Mas vai ser no Algarve que, um dia, vai perceber melhor que a vida é multifacetada…

 

As caralhadas do Manel

21 Agosto 2017

Foto João Xavier - Jorge Sousa irritado no Algarve

Chama-se Manuel Jorge Neves Moreira de Sousa, mas na arbitragem é conhecido como Jorge Sousa.

No jogo do Sporting B do passado fim de semana, para a 2ª Liga, exaltou-se na formação de uma barreira e gritou para o guardião leonino:

«Estás a falar para quem, caralho? Estás a falar para quem, caralho? Para a baliza. Mas que brincadeira? Eu não brinco com ninguém, caralho. Põe-te na puta da baliza. Mas que é isto, eu não brinco com ninguém, caralho. Quem é que está a brincar? Eu não brinco com ninguém».

Este grande exemplo de serenidade e caráter num árbitro com as insígnias da FIFA diz muito sobre o seu perfil, confirmando que há também ali uma qualquer embirração com as barreiras, como eu fotografei em 2012.

Há uns bons anos, estava eu a arbitrar um jogo, quando vi 3 jogadores notoriamente exaltados com um árbitro assistente. Corri para o local a perguntar o que se passava e um dos futebolistas disse-me que o «fiscal-de-linha» o tinha mandado pró caralho.

Na cabine, questionei o meu colega que depressa confirmou: «Sim, mandei-o. Ele só estava a dar-me cabo dos cornos.»

Na segunda feira, tratei logo de informar o conselho de arbitragem que aquele elemento não faria mais um único jogo comigo. O meu padrão de conduta está, felizmente, muito acima daquele nível…

Aja cada um conforme a sua consciência.

Os povos «indígenas»

11 Agosto 2017

direitos reservados - indios brasileiros

No passado dia 9, passou despercebida uma efeméride que é celebrada desde 1995: o Dia Internacional dos Povos Indígenas.

A ONU considera povos indígenas os que, continuando uma identidade histórica anterior a uma colonização, consideram-se a si mesmos distintos dos povos colonizadores. Persistem na vida com padrões culturais próprios e a ONU quer que os seus direitos sejam respeitados.

Os povos colonizadores sempre tiveram a mania da superioridade e sempre consideraram os seus valores com exclusividade de «civilização». Ainda bem que há quem resiste…

Esta efeméride fez-me lembrar uma pesquisa que há poucos anos fiz sobre os «indígenas» das colónias portuguesas, com estatuto próprio reconhecido pelo Estado Novo.

Os padrões de civilidade do séc. XXI deveriam fazer com que considerássemos todos os indivíduos sobre a Terra como nossos semelhantes (nossos irmãos, como dizia o algarvio Bernardo de Passos), em vez de andarmos a colar etiquetas…

 

Descida ao inferno

6 Agosto 2017

KODAK Digital Still Camera

O Algarve voltou a ter a honra de receber a seleção de fotos da World Press Photo.

No Forum Algarve, em Faro, pudemos ver as fotos premiadas como as melhores fotos do ano.

Vale a pena ir ver e refletir. Vale a pena sofrer um choque perante a miséria e a violência que pontuam pelo mundo fora.

Eu fui ver e saí com a sensação de ter descido ao inferno.

É bom para certos meninos e meninas queques verem o mundo como ele é. É bom para porem os pés na terra e deixarem de viver de fantasias.

 

Os ciganos, o ostracismo e a xenofobia

19 Julho 2017

Foto João Xavier - Ciganos

André Ventura, professor universitário e grande adepto do futebol, candidata-se pelo PSD a presidente da Câmara Municipal de Loures.

Saltou para a ribalta no passado dia 17, ao afirmar que os ciganos têm de interiorizar o Estado de Direito e vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado.

As declarações, eivadas de preconceito, ficam mal a quem quer ser autarca e desencadearam uma polémica nacional que aponta ao jovem traços de xenofobia e racismo.

O CDS foi o 1º a demarcar-se, abandonando a coligação que se aprestava para concorrer ao ato eleitoral que se aproxima.

Os ciganos, como etnia que prima por não dizer amém a todas as modas ocidentais, são muitas vezes vistos como gatunos e violentos. E nos tempos que correm acresce também a reprodução fácil que colide com a miserável taxa de natalidade que generalizámos.

Quando comprei o meu primeiro apartamento, não gostei de ver ao lado um acampamento cigano. Foi um erro que depressa corrigi. Os ciganos são bons vizinhos.

Depois, tive várias turmas com ciganos e aproveitei para conhecer melhor a história e a cultura cigana. Aprendi a valorizar as diferenças e a questionar o turbilhão de modernidade que nos faz abdicar de valores ancestrais.

É verdade que muitos ciganos estão a sedentarizar-se e a assimilar modos de vida que rompem de vez com as suas tradições. Mas os que não os seguem não têm de ser ostracizados.

Os ciganos são pessoas com direitos e com deveres e não têm de abdicar de modelos de vida por imposição alheia.

É na diversidade que nos enriquecemos.

 

A amnésia influenciada induzida

28 Junho 2017

pintura sbalportel

Conhece a «Aii»? É a amnésia influenciada induzida.

É um problema que afeta quem se deixa influenciar por pessoas perniciosas que a fazem abdicar dos sonhos e a levam a gerir a vida sem objetivos a médio e longo prazo.

Em termos mais simplistas, é o que acontece a quem se socializa em excesso com pessoas irresponsáveis e pouco ambiciosas.

O convívio quotidiano leva a que as pessoas com amnésia influenciada induzida esqueçam os padrões antes assimilados e passem a regular a sua vida por padrões alheios, mesmo que prejudiciais.

Passam a gozar a vida dia-a-dia e satisfazem-se com futilidades, preocupando-se, sobretudo, em contentar as pessoas que a influenciam e com quem se querem parecer cada vez mais nas preferências e nos modos de vida.

Por vezes, esta amnésia é induzida por pessoas sociopatas, que manobram os sentimentos alheios visando impedir a ascensão social que as possa fazer sentir mais incapazes e com maiores complexos de inferioridade. Noutros casos, é apenas um dos problemas inerentes à socialização em que uns são dominadores e outros, pouco resistentes, são facilmente «manipulados».

A amnésia influenciada induzida é fácil de encontrar entre jovens, porque atualmente a individualidade e a sobriedade ficam em segundo plano perante a homogeneização das modas.

 

O Bispo, a política e os ossos

29 Maio 2017

KODAK Digital Still Camera

Francisco Gomes do Avelar nasceu em Matos (Alhandra) em 17 de janeiro de 1739.

Tornou-se padre em 1763 e foi também professor.

Viveu uns anos em Roma, de onde regressou em 1788.

Ficou famoso como Bispo do Algarve, cargo em que foi sagrado em 26 de abril de 1789.

Em 1795, iniciou a construção da Igreja de Aljezur e, com dinheiro de esmolas, do Hospital da Misericórdia de Faro (onde eu nasci, já no séc. XX).

Promoveu a construção de estradas e pontes, usando com proficuidade a força que o poder político lhe dava, chegando a trabalhar com as suas próprias mãos em diversos desses empreendimentos.

Abriu o Seminário de Faro em 8 de janeiro de 1797 e construiu nas Caldas de Monchique instalações para pobres.

O seu papel durante as Invasões Francesas teve traços polémicos que não evitaram que, com a fuga dos homens de Napoleão, Francisco Gomes do Avelar tomasse posse como Governador do Algarve.

Faleceu em Faro em 15 de dezembro de 1816 e, quando a sua sepultura foi aberta passado meio século, o povo, que lhe chamava «bispo santo», assaltou a Sé de Faro e levou os ossos como relíquias.

Na capital algarvia temos desde 1940 uma estátua em memória deste bispo político.