Archive for the ‘Ortografia’ Category

Quem for apanhado coima…

7 Junho 2017

KODAK Digital Still Camera

A capital algarvia está a revolucionar a recolha de resíduos sólidos.

Além de pôr em funcionamento diversos contentores subterrâneos, a autarquia está a desativar vários pontos onde havia recolha do lixo.

A retirada dos velhos contentores deixa descontentes diversos cidadãos que se sentiam respeitados pela proximidade… e, insubordinadamente, continuam a depositar os seus sacos malcheirosos onde antes havia contentores.

Na foto, podemos ver a reação a essa insubordinação. Alguém tratou de ameaçar os vizinhos com o aviso telegráfico: «Quem for apanhado coima»…

 

Abaixo o hífen

1 Fevereiro 2017

foto-joao-xavier-amote-susana

O hífen é um elemento espetacular da escrita! É pequenino (costumamos chamar-lhe «tracinho») e de nada serve, senão para complicar.

Ok! Eu sei que a sua ausência poderá provocar leitura deturpada de algumas palavras, se seguirmos à letra determinadas regras de acentuação e de pronúncia…

Isso, contudo, não serve de desculpa: há diversas palavras homógrafas em que são aplicadas regras de entoação díspares.

No caso que aqui hoje trago, de uma declaração de amor grafitada em Olhão, «amote» deveria ser lido a rimar com «trote». Mas ninguém o faz: toda a gente percebe que o apaixonado (ou simplesmente o excitado) queria dizer «amo-te».

Provavelmente, usamos e abusamos desnecessariamente do hífen…

 

O Hospital de São Braz

23 Novembro 2016

foto joao xavier - o velho hospital de sao braz de alportel

Há 50 anos, Américo Tomaz, Presidente da República, esteve em São Brás de Alportel.
O grande evento do dia 6 de novembro de 1966 foi a inauguração do «Hospital de São Braz de Alportel».
O Almirante que fez a ponta final do Estado Novo condecorou então com o grau de Comendador o grande impulsionador da iniciativa: o algarvio marafado José Lourenço Viegas. Não é qualquer um que oferece um hospital!…
O edifício, cuja primeira pedra foi colocada em 30 de abril de 1961, foi projetado pelo grande arquiteto Carlos Ramos (prémio Valmor em 1958, projetara em 1952 o Estádio Américo Tomás, atualmente chamado de Estádio do Restelo). Passou mais tarde para a posse da Santa Casa da Misericórdia, com o Hospital desativado, e serve agora (batizado com o nome de Edifício José Lourenço Viegas) de sede do Centro de Saúde de São Brás de Alportel e da Unidade de Cuidados Continuados Al-Portellus.
A edilidade está a festejar o meio século daquele edifício. Muita coisa mudou, não foi só a ortografia. A vila foi na onda de considerar o Z antiquado e ganhou um acento. O hospital foi à poeira como quase foi o sistema nacional de saúde.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…

Em luta pelas 35 horas

7 Junho 2016

foto joao xavier - em luta pelas

Pelas nossas cidades tem aparecido um painel da federação de sindicatos da função pública, em luta pelas 35 horas semanais de trabalho.
Duvido muito da legalidade de uma lei que permite 35 horas para uns e 40 para outros, mas o que hoje aqui quero lamentar é a falta de literacia que vai reinando.
Os sindicatos lutam pelas 35 horas. Simplesmente. Não lutam «pelas: 35 horas». Muito menos lutam «Pelas: 35 horas».
Escrever sem saber usar sinais de pontuação é ridículo.
Escrever sem saber onde usar maiúsculas é um dó.
O painel deveria ter a mensagem: «Em luta pelas 35 horas já e para todos.»
As maiúsculas, ali, nas palavras «Pelas» e «Para» são coisas sem nexo.

Arrenda-se

26 Fevereiro 2016

foto joao xavier - arreda-se

O verbo «arredar» caiu em desuso. Significava «afastar», «pôr longe», «mudar de lugar».
Percebe-se melhor nesta frase: «Arreda daí esse vaso!»…
Alguém quis arrendar uma casa e escreveu «arreda-se». O que este verbo na forma reflexa significa é «separar-se».
O problema aqui foi a transposição gráfica do som nasal. Teria de escrever «en».
Hoje em dia, muita gente quer erradamente colocar em desuso o verbo «arrendar», preferindo «alugar».
Fez muito bem a proprietária pouco letrada. Esqueceu-se de uma consoante mas não é por isso que a casa vai ficar por arrendar…

Desvio para o aeroportoo

13 Janeiro 2016

foto joao xavier - aeroportoo

As obras da Variante de Faro prosseguem com os problemáticos acessos. No nó da Estrada Nacional 2 e junto ao Viaduto da Penha, muitas são ainda as movimentações de máquinas e de terras.
Quem agora sai da capital algarvia pela Estrada Nacional 2 e quer entrar na Variante para tomar a direção do Aeroporto tem de passar debaixo do viaduto e fazer uma viragem pouco ortodoxa à esquerda.
Essa saída está sinalizada com a placa que fotografei: uma interessante falha na dimensão do autocolante deixou uma letra a mais à mostra… e o que se lê é «aeroportoo».
Uma espécie de gaguez gráfica…

O anel de São Brás de Alportel

17 Novembro 2015

foto joão xavier - anel de são brás de alportel

Normalmente, convencionou-se chamar «circulares» e «variantes» às estradas que fazem um percurso à volta de determinadas urbes, evitando o respetivo centro.
Em São Brás de Alportel, chamam-lhe «anel de circulação».
O fecho do referido anel que circunda a vila serrana mereceu no passado dia 5 de outubro um ato de inauguração e até um monumento em ferro (na foto).
Naquele monumento, com uma representação do concelho sambrasense, há outra curiosidade da terminologia: à parte norte chamam «circular» e à parte sul chamam «variante».
Em português nos desentendemos…

Expansão e não expanção

19 Setembro 2015

foto joão xavier - expanção em vez de expansão

Uma das esquisitices da língua portuguesa é a das palavras que terminam em «são» e «ção».
Por norma, essas particularidades derivam da origem etimológica de cada palavra (em latim terminavam, respetivamente, em «sione» e «tione»).
Com «s» escrevem-se «expansão», «ascensão», «extensão», «versão», «inversão», «aspersão», «extorsão», etc.;
Com «ç» escrevem-se «fração», «junção», «munição», «numeração», «certificação», «introspeção», «dentição», «constituição», «construção», «beneficiação», «memorização», «consideração», «petição», «intuição», «assimilação», etc….
A erro da foto anexa deve, pois, ser corrigido: «expansão» deriva do latim «expansione» e escreve-se com «S».

As metamorfoses dos nomes próprios

2 Julho 2015

Foto João Xavier - Largo de S. Luiz

O maior erro dos contestatários do novo «acordo ortográfico» que rege a escrita da língua portuguesa é a presunção de que deve ser mantido o que existe em termos de grafia.
É erro, porque a língua é viva!
A língua está em permanente evolução, em permanente polimento e em permanente enriquecimento.
A língua constrói-se todos os dias. Muda todos os dias!
Em localidades onde as placas toponímicas vão ficando velhas, é-nos fácil perceber como a escrita portuguesa se tem modificado.
Há 100 anos, escrevia-se «Luiz». Com Z e sem acento.
Depois… e muito antes do polémico acordo ortográfico, passámos a escrever «Luís». Com S e com acento agudo.
Erro erro é quem foi batizado como Luiz identificar-se como Luís. O nosso nome é o nosso nome de origem. Consta no Registo de Nascimento e assim se deve manter ao longo de toda a nossa vida. Veja-se o exemplo do grande realizador cinematográfico Manoel de Oliveira. Nasceu Manoel e teve o bom senso de nunca se metamorfosear em Manuel.
Nota: A foto foi feita em Alte em 2015.

O plural de «sénior» é «seniores»

11 Junho 2015

Pormenor de um cartaz do Almancilense

No desporto existe o hábito de separar os praticantes por níveis etários.
Basta irmos buscar exemplos de futebol, no caso para a temporada de 2015/16:
Os nascidos em 2009 e 2010 são petizes; os nascidos em 2007 e 2008 são traquinas; os nascidos em 2005 e 2006 são benjamins; os nascidos em 2003 e 2004 são infantis; os nascidos em 2001 e 2002 são iniciados; os nascidos em 1999 e 2000 são juvenis; os nascidos em 1997 e 1998 são juniores; e os nascidos antes são seniores.
O problema é que a maior parte das pessoas não sabem fazer o plural de «júnior» e de «sénior», criando umas palavras que são acentuadas antes da antepenúltima sílaba, coisa aberrante que não está prevista (nem nunca esteve) em qualquer tratado ortográfico!!!
As palavras «júnior» e «sénior» são esdrúxulas. No plural, formam palavras graves: «juniores» e «seniores», cuja sílaba tónica é «o».
O cartaz aqui reproduzido tem, portanto, um erro.