Archive for the ‘Ortografia’ Category

Já reparaste que escreves com erros?

8 Maio 2018

erro em panfleto da algar

A Algar está a distribuir uns folhetos com um erro básico:

«Já reparas-te que há mais um ecoponto na tua zona?» em vez de «Já reparaste que há mais um ecoponto na tua zona?» !!!!!!!!!!

É um erro inadmissível, num folheto que deveria ter sido supervisionado e editado antes de ser impresso.

Não há que confundir. Vejamos…

«Tu coças-te quando tens comichão. Já te coçaste hoje?»

«Tu cortas-te se usares a faca descuidadamente. Já te cortaste alguma vez?»

 

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Jojó e Nelito com acentos a mais

21 Março 2018

erros de português em livro de matemática

Perplexa, uma ex-aluna mostrou-me um livro do 8º ano.

Um exercício referenciava um «Jójó» e um «Nélito»!!!!!

Não se usam 2 acentos numa mesma palavra! Escreve-se Jojó, como se escreve «bebé» e não «bébé».

A sílaba tónica do segundo nome é a penúltima («li»), pelo que a escrita correta é Nelito. Para abrir a vogal «e», usava-se antigamente o acento grave em sílabas átonas, mas essa grafia já não vigora há muuuitos anos. Seria, absurdamente, «Nèlito».

O que aquele livro traz é … um verdadeiro problema de acentos…

Marcas dos tempos que correm…

 

Há pão quente a 1 €

16 Março 2018

KODAK Digital Still Camera

Há pão quente a 1 €.
«Há» é uma forma do verbo «haver». Significa «existe».
Nota-se frequentemente que muitas pessoas confundem «à» com «há». Confundem a contração da preposição «a» com o determinante «a» (de que resulta a palavra «à»)… com o presente do indicativo do verbo «haver».
O que encontramos no cartaz que fotografei à beira da Estrada Nacional 2 é uma invenção, uma palavra que não existe autonomamente na língua portuguesa («á»).
Alguém com melhor literacia cuidou de escrever a letra «H». Faltou-lhe apenas a tinta vermelha.

Vende-ze

27 Janeiro 2018

foto joao xavier - vende-ze

A colonização do Algarve vai tendo marcas que todos podemos encarar ao virar de uma esquina ou ao caminhar pelos campos fora.

Temos nesta região diversas colónias de ingleses, alemães, holandeses e gente de outras nacionalidades.

São pessoas que decidiram vir para o Algarve, pelas maravilhosas condições climáticas, pela natureza pouco agreste e pelo povo que somos.

Para muitas dessas pessoas, a língua portuguesa é difícil. Décadas depois da chegada, nota-se-lhes ainda a pronúncia que não disfarçam, a construção frásica com falhas e os erros mais ou menos frequentes.

O exemplo que encontrei algures no barrocal algarvio («vende-ze») é uma das coisas mais engraçadas que encontrei. Mas não deixa de ser um sinal do que vai correndo na identidade do Algarve moderno…

Má vizinhança e má grafia

2 Novembro 2017

KODAK Digital Still Camera

As relações de má vizinhança percebem-se muitas vezes como as pessoas se cumprimentam ou evitam cumprimentar-se, mas também pelas mensagens escritas que se colocam à vista de todos.

Um indivíduo, farto de ver as suas árvores mordidas pelo gado de um vizinho, viu-se forçado a colocar uma tabuleta com a interdição. Aquela propriedade não é da Joana…

O problema é a ortografia, ou, mais especificamente, a problemática das letras maiúsculas e das letras minúsculas.

O que este algarvio marafado escreveu foi: «PROiBiDO gAdO» !!!

É uma espécie de saladas de maiúsculas com minúsculas…

Clubes inventados para o Campeonato de Portugal…

25 Julho 2017

erros no JN de 25jul2017

Está feito o sorteio do Campeonato de Portugal para a época 2017/18.

O Algarve tem um esquadrão de 7 equipas. Quatro são credenciadas (Olhanense, Farense, Louletano e Lusitano) e as outras 3 são, ao que diz o Jornal de Notícias, o Almacilense, o Armacenses e o Carapachense!!!…

Calma, amigo leitor, não apareceram 3 clubes algarvios novos diretamente no Campeonato de Portugal!

O que aconteceu foi que alguém sem cultura geográfica nem futebolística, escreveu com erros os nomes de Almancilense, Armacenenses e Moncarapachense.

O Almancilense (e não Almacilense) é de Almancil.

O Armacenenses (e não Armacenses) é de Armação de Pera.

E o Moncarapachense (e não Carapachense), é de Moncarapacho, que foi o antigo Monte Carapacho, a que ilustres visitantes já têm chamado Moncarrapacho e Monte Carrapacho.

Esta é mais uma curiosidade do Campeonato de Portugal, que vai estrear já no próximo dia 20, entre outros, o Olímpico do Montijo (sucessor do velho Montijo de Paulo Futre) e o famosíssimo Canelas (que garantiu a subida com a falta de comparência de quase todos os adversários)…

 

É bom ter uma casa na incosta…

20 Julho 2017

foto joao xavier - sitio da incosta

Uma encosta é um terreno inclinado entre a base e o cume de uma elevação da crosta terrestre.

Uma incosta é uma espécie de encosta mal entendida por quem não sabe português.

No Algarve, é cada vez mais fácil encontrarmos pontapés na ortografia… mas a rotina não impede que alguns exemplares nos deixem «encantados».

É verdade que a criatividade tomou conta da linguagem e eu até aplaudo esse enriquecimento da oralidade, da escrita e do vocabulário.

Diferente é a problemática, quando é a ignorância que está por detrás das palavras «novas».

O caso que eu fotografei no barrocal algarvio é mais um dos que derivam da colonização que se verifica em muitos núcleos. Sejam ingleses, holandeses ou alemães, os novos cidadãos algarvios por adoção precisam muitas vezes de quem os ajude a escrever…

 

Quem for apanhado coima…

7 Junho 2017

KODAK Digital Still Camera

A capital algarvia está a revolucionar a recolha de resíduos sólidos.

Além de pôr em funcionamento diversos contentores subterrâneos, a autarquia está a desativar vários pontos onde havia recolha do lixo.

A retirada dos velhos contentores deixa descontentes diversos cidadãos que se sentiam respeitados pela proximidade… e, insubordinadamente, continuam a depositar os seus sacos malcheirosos onde antes havia contentores.

Na foto, podemos ver a reação a essa insubordinação. Alguém tratou de ameaçar os vizinhos com o aviso telegráfico: «Quem for apanhado coima»…

 

Abaixo o hífen

1 Fevereiro 2017

foto-joao-xavier-amote-susana

O hífen é um elemento espetacular da escrita! É pequenino (costumamos chamar-lhe «tracinho») e de nada serve, senão para complicar.

Ok! Eu sei que a sua ausência poderá provocar leitura deturpada de algumas palavras, se seguirmos à letra determinadas regras de acentuação e de pronúncia…

Isso, contudo, não serve de desculpa: há diversas palavras homógrafas em que são aplicadas regras de entoação díspares.

No caso que aqui hoje trago, de uma declaração de amor grafitada em Olhão, «amote» deveria ser lido a rimar com «trote». Mas ninguém o faz: toda a gente percebe que o apaixonado (ou simplesmente o excitado) queria dizer «amo-te».

Provavelmente, usamos e abusamos desnecessariamente do hífen…

 

O Hospital de São Braz

23 Novembro 2016

foto joao xavier - o velho hospital de sao braz de alportel

Há 50 anos, Américo Tomaz, Presidente da República, esteve em São Brás de Alportel.
O grande evento do dia 6 de novembro de 1966 foi a inauguração do «Hospital de São Braz de Alportel».
O Almirante que fez a ponta final do Estado Novo condecorou então com o grau de Comendador o grande impulsionador da iniciativa: o algarvio marafado José Lourenço Viegas. Não é qualquer um que oferece um hospital!…
O edifício, cuja primeira pedra foi colocada em 30 de abril de 1961, foi projetado pelo grande arquiteto Carlos Ramos (prémio Valmor em 1958, projetara em 1952 o Estádio Américo Tomás, atualmente chamado de Estádio do Restelo). Passou mais tarde para a posse da Santa Casa da Misericórdia, com o Hospital desativado, e serve agora (batizado com o nome de Edifício José Lourenço Viegas) de sede do Centro de Saúde de São Brás de Alportel e da Unidade de Cuidados Continuados Al-Portellus.
A edilidade está a festejar o meio século daquele edifício. Muita coisa mudou, não foi só a ortografia. A vila foi na onda de considerar o Z antiquado e ganhou um acento. O hospital foi à poeira como quase foi o sistema nacional de saúde.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…