Archive for the ‘Portas & Janelas’ Category

Alcoutim – o 5º mais infértil

6 Janeiro 2017

foto-joao-xavier-uma-casa-velha-em-alcoutim

Alcoutim foi em 2016 o 5º concelho mais infértil de Portugal.
É sabido que Portugal ocupa a cauda da fertilidade mundial, mas nas estatísticas dos nascimentos do ano que findou há poucos dias há concelhos que «abusam»…
Sem qualquer nascimento, houve 3: Lagoa, Calheta e Corvo (todos dos Açores). Em 4º lugar, com 5 partos, ficou Castanheira de Pera. Em 5º lugar, Alcoutim, o concelho mais pobre do Algarve, com apenas 6.
No polo oposto, dos concelhos com mais nascimentos em 2016, temos Lisboa (quase 13 mil), Porto (mais de 4 mil), Cascais (quase 4500), Coimbra (mais de 2200) e Vila Nova de Gaia (pouco mais de 2000).
No top tem da fertilidade não aparece qualquer concelho algarvio.
O envelhecimento e a fuga marcam inexoravelmente a vida do concelho de Alcoutim, apesar de o núcleo de Martim Longo revelar algum dinamismo relativo. Contudo, é fundamental implementar incentivos e programas de fixação de gente ativa.
Nota-se que ainda não chegou o tempo de revertermos a ideia atrativa das grandes cidades (como Lisboa), onde impera o stress, o crime e a poluição. E este panorama que Alcoutim tão bem retrata vai prolongar-se no futuro próximo…

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Por portas e travessas…

5 Dezembro 2015

foto joao xavier - a porta da rua

Há uma expressão popular que alude aos modos diversos que temos ao dispor para resolvermos os problemas: «por portas e travessas».
Em Faro, há uma porta de uma casa que foi transformada em porta de uma rua!!!
Poderemos até dizer que ali há uma porta que é a porta de uma travessa.
O português é uma língua muito traiçoeira!…

Uma porta que se fecha, uma porta que se abre…

17 Junho 2015

Foto João Xavier - Fechadura na Fonte do Corcho

«Diz-se que na vida por cada porta que se fecha outra se abre.»
Assim começa Jorge Jesus um comunicado com que se despede do Benfica ao fim de 6 anos como treinador daquele clube.
A imprensa portuguesa quer fazer uma telenovela da ida de Jesus para o Sporting. Um dia destes, quando diante de um quiosque eu lia em voz alta um título de jornal para a minha mulher, um sexagenário insurgiu-se: «Isto é uma vergonha! Não falam de outra coisa. É o que interessa aos políticos!!! Portugal continua a ser o país dos 3 éfes…»
Não sei. Duvido mesmo que Portugal continue a ser o país de Fado, Futebol e Fátima. Pelo menos o fado, apesar de património mundial, deixou de ser um ópio do povo. A fé resiste (e até se empolou, com a crise). E ainda bem que temos futebol!…
O futebol tem virtudes que ninguém de bom senso deve menosprezar. Aliás, quem mais o menospreza revela uma alienação em relação ao mundo em que vive.
O futebol é o desporto rei, mexe com multidões, é catarse, é alegria, é vida, é energia, é cor.
Claro que em redor do futebol giram uma série de parasitas, uma espécie de carraças que sugam o futebol, conspurcam-no e adulteram-nos. Mas são marginais.
Como muito bem diz Jorge Jesus, há portas que se fecham e portas que se abrem. No futebol como na vida, porque com o futebol também aprendemos a vida.

A paranoia securitária

8 Abril 2015

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Tenho uma grande coleção de fotos de portas e janelas e meteu-me impressão a carga de comentários gerados pela porta trancada no avião que caiu nos Alpes franceses, nos finais de março passado.
Ao que consta, com base nos dados das «caixas negras», o copiloto Andreas Lubitz trancou-se na cabine, para poder fazer cair o avião a alta velocidade contra as montanhas.
O piloto usou ainda a violência para tentar arrombar a porta, mas o sistema instalado na sequência do 11 de setembro impediu o acesso ao cockpit, o que fez o piloto gritar: «Maldita porta!»…
Foi a paranoia dos ataques terroristas que fez cair, portanto, este avião alemão!
As altas autoridades tomam decisões a quente, pressionadas pela opinião pública. Não ponderam. Depois, os resultados saem ao contrário do previsto.
Não foi a porta a culpada. A porta cumpriu os objetivos para que foi programada.
Apenas isso.

Nunca abras uma porta que Deus te fechou

18 Fevereiro 2015

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Numa das primeiras escolas em que trabalhei, habituei-me a ver passar à porta funerais com dezenas de pessoas.
Um dia, vi passar um com meia dúzia de «acompanhantes».
Perguntei a uma auxiliar:
– Era pessoa que não morava cá?
– Morava. Mas era má rês…
– E morreu de quê?
– Andava a fazer partilhas com o irmão, não conseguiu abrir a porta do palheiro do pai… e como pensou que estava lá escondida alguma coisa de valor foi arrombar a porta, mas a porta estava podre e ele caiu e foi bater com a cabeça num bloco de betão…
– E foi-se…
– Não. Fez um traumatismo craniano e ainda esteve uns meses a penar…
Aquele episódio veio dar razão a um lema de vida que eu tinha criado poucos anos antes:
«Nunca abras uma porta que Deus te fechou.»…

O país que fecha as janelas

6 Maio 2014

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Às vezes, ouvindo os noticiários, fico com a sensação de que Portugal é um país que fecha as janelas.
Isto está de tal modo arreigado na postura portuga, que até em monumentos nacionais podemos encontrar janelas entaipadas!!!!!!!!!!…
O exemplo que aqui trago hoje é das muralhas de Silves, mas não é um exemplo único.
Muito há a mudar nas mentalidades!…
Abram-se à luz dos dias, porra!

Uma janela bonita somos nós que a fazemos…

12 Junho 2013

Foto João Xavier - Jovem à janela

A construção moderna, utilitária e fria, banalizou a beleza da arquitetura das nossas janelas.
Dizia-me há dias uma velhota: «Já não se fazem janelas bonitas!»
As janelas bonitas… somos nós que as fazemos.
Se você tem uma janela feia, dê-lhe um toque da sua beleza. De repente, a janela vai ficar bonita!!!…

O dentro e o fora

10 Janeiro 2012

Antes, havia o dentro e o fora.

Lá dentro, era o agasalho, o conforto, o recato, o privado…

Cá fora, era o espairecer, a rua, a correria, a horta…

Ali houve vida, labuta, abraços, calor, esperança…

Depois, sobrou o abandono.

O telhado foi o primeiro a cair. Depois, as portas foram arrombadas, os bichos entraram, o pó e as ervas ganharam espaço.

A janela ficou. Não na mesma, mas ainda janela.

Com alguma confusão, é certo, mas ainda janela.

Agora, ela já não percebe bem qual é o lado de dentro e qual é o lado de fora.

Há céu dos dois lados. Os pássaros chilreiam dos dois lados. O frio sente-se dos dois lados.

Mas a esperança resiste para aquela janela: um dia, de repente, pode chegar alguém que engrace com a casa, meta mãos à obra e a faça renascer a ela, janela, novamente como fronteira gostosa entre o dentro e o fora…

Encostar a porta

23 Janeiro 2011

Hoje, que é dia de eleições, apetece-me, depois do voto, sentir a natureza pura, calma, reconciliadora e revigorante… mas o frio aperta. Apetece então mais encostar a porta e esperar pela hora dos resultados eleitorais. Como nos diz esta prosa gostosa da Luísa, no blog à esquina da tecla:

“Há dias em que eu gostava de ser leve. Assim como é leve o caracol. Então, vagarosamente, pelo junco, eu subiria. E encostaria a minha porta à folha fina. Depois, escorregaria até ao fundo de mim própria. E, embalada pelo vento, esqueceria.”…

Paula Teixeira da Cruz e as portas

10 Janeiro 2011

Paula Teixeira da Cruz escreveu no Correio da Manhã do passado dia 6 um artigo intitulado “As duas portas”.

Depois da “sacralização do ter e do parecer”, PTC considera haver duas portas que se nos vão abrir: “a que nos conduz a um desígnio coletivo, ainda que difícil, ou a que nos abre o caminho da libertação da raiva, da desregulação coletiva, onde os mais fortes, por si ou por cumplicidades ocultas, continuarão a tratar dos seus destinos, dirigindo-nos”.

É uma prosa que vale a pena reler.

Segundo PTC, uma porta leva-nos ao mérito e às competências; outra… leva-nos à “contestação global de diluição institucional, desresponsabilização”, convulsão social e o «império do espertismo».

As portas, invenção humana, continuarão a ser símbolo de entrada e saída.

A opção é nossa, em cada momento da nossa vida.