Archive for the ‘Rotundas’ Category

O Poço de Almancil

19 Maio 2017

KODAK Digital Still Camera

Os poços foram essenciais para a vida humana, durante séculos. Resistem ainda ao tempo alguns (raros) exemplares romanos e árabes.

De repente, com a canalização das águas, o final do séc. XX começou a pôr em extinção esta arte de ir ao subsolo buscar água fresca.

Hoje em dia, alguns poços resistem nas nossas urbes apenas como elemento decorativo.

O caso que aqui fotografo hoje é o do Poço de Almancil, que identificava a povoação do «Poço de Almancil».

Resta esta réplica. Como adereço de uma rotunda.

É melhor que nada…

 

António Aleixo e as moscas

20 Janeiro 2017

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Um dia, junto ao Guadiana, um nonagenário confidenciou-me a amargura com que tinha visto passar o médico («o senhor doutor») em calções.

«As pessoas já não sabem compor-se para sair à rua!» – queixava-se o velhote.

Foi na cidade pombalina que nasceu o grande poeta algarvio António Aleixo, que, parece que a propósito, fez um dia uma quadra:

«Uma mosca sem valor / poisa com a mesma alegria / na careca de um doutor / como em qualquer porcaria.»

O pobre do António Aleixo, moldado por uma sociedade hierarquizada e com limites impostos na escala social, achava que a cabeça de um doutor era algo de especial… mais que não fosse, pelo ego inflacionado.

Afinal, pensando bem as coisas, a cabeça de um doutor é como qualquer porcaria, sobretudo se o doutoramento foi de aviário ou o doutor nem doutor é… e apenas fez uma licenciatura qualquer, ao preço da uva mijona.

As habilitações superiores banalizaram-se de tal modo que encontramos licenciados empregados de lojas ou a fazer bolos. E já no tempo de Aleixo se dizia que «com papas e bolos se enganam os tolos»…

 

A mamalhuda vai às compras

10 Janeiro 2017

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Almancil tem mais uma rotunda artística: é junto ao supermercado Apolónia e cor não lhe falta.
A autora da obra é Teresa Paulino, já muito conhecida por ter esculpido as figuras de pedra da rotunda do aeroporto de Faro.
A mulher que vai às compras é agora um motivo de observação atenta por parte de quem passa dentro de Almancil, pelo troço desativado da Estrada Nacional 125 naquela vila.
Pena é que a mulher não tenha umas ancas mais proeminentes. Se não fossem as mamas, a silhueta ficaria completamente desfeiada.
Atendendo a que, recentemente, uma oliveira que ali estava levou uma valente arrochada de um carro que se despistou, espera-se que a base da mulher seja bem sólida, para que um dia destes algum não leve com as mamas da «lady» em cima…

Muitas notas em altos voos…

4 Novembro 2016

foto-joao-xavier-rotunda-da-forca-aerea

É conhecida a fama de Portugal como país de corruptos… e não deixamos a fama por mãos alheias.
Muita gente que lida com dinheiros do Estado ganha a sensação de que aquilo é «para gastar», mas o caso da Força Aérea agora em foco na imprensa portuguesa mostra-nos pessoas para quem o dinheiro do Estado é um maná.
Alguns oficiais e sargentos alinhavam há anos num esquema em que faziam fornecedores inflacionar a faturação e depois lhes exigiam parte da diferença em dinheiro vivo.
Só na casa de um desses militares a PJ encontrou mais de 200 mil euros em notas! E os investigadores calculam que as verbas sonegadas serão cerca de 10 milhões de euros!
Nenhum daquele dinheiro era depositado em contas bancárias e um dos corruptos terá mesmo dito que era para permitir «uma reforma dourada». Já estão detidos 6 militares, mas os arguidos serão às dezenas…
Ou eram estes militares que voavam baixinho ou eram as notas que voavam demasiado alto…

Roubar ouro e vender pão

1 Junho 2016

foto joao xavier - acidente na rotunda do parque das cidades - maio 2016

Na entrada sul de Loulé, a «rotunda do parque das cidades» foi feita para o Euro 2004. Malamente.
O desnível que deveria ter sido corrigido tem provocado muitos acidentes, sobretudo em quem desce.
Há tempos, uma assaltante de uma ourivesaria saiu disparada, partindo o muro e caindo na ribanceira.
Há poucos dias, um distribuidor de pão saiu disparado, partindo o muro (entretanto reparado) e caindo na ribanceira.
Pelos vistos, a pressa ali não é boa conselheira nem boa condutora.
Roubar ouro e vender pão não costumam rimar. Talvez por isso a pressa que se sucede a um ato e antecede o outro só naquela rotunda acarretem a mesma consequência.

Variante de Faro com pressa de caracol

26 Maio 2016

foto joao xavier - variante de faro - nó da EN2

O complicado nó da Variante de Faro com a Estrada Nacional 2 está pronto a abrir.
A segunda rotunda, a nascente da primeira, está situada debaixo de um viaduto e vai distribuir o trânsito para Sotavento e para Barlavento, provocando uma inversão de marcha neste último caso.
Se nesta zona as obras terminaram, o mesmo não acontece mais a leste, onde a Variante termina, mas ainda não há acesso a Pechão e a saída para Olhão (para quem sai da Penha) ainda se processa por um desvio provisório.

Uma rotunda abandonada em Lagoa

23 Maio 2016

foto joao xavier - nova rotunda de lagoa

Desde os finais de março, quem circula pelo Barlavento tem deparado com uma paisagem absurda: as obras da primeira nova rotunda de Lagoa completamente paradas!
As semanas foram passando e a estupefação generalizou-se, com uma curiosidade anedótica: no meio da rotunda foi abandonado um grande camião.
O povo começou a dizer que devem aproveitar a oportunidade e deixar a viatura como ornamento da rotunda quando as obras estiverem concluídas…
Ao que consta, o reinício das obras estava previsto para hoje.
O certo é que os incómodos derivados da demora abusiva são muitos e a desorganização é notória.
A requalificação da Estrada Nacional 125 tem muitas estórias para contar…

A rotunda empachada de Boliqueime

4 Maio 2016

foto joao xavier - rotunda de boliqueime

Enquanto na Variante de Faro a 2ª rotunda do nó da Estrada Nacional 2 está pronta para abrir ao trânsito, nas obras de requalificação da Estrada Nacional 125 há duas rotundas que estão empachadas.
Uma delas é a da Fonte de Boliqueime: depois da destruição polémica do feio fontanário que ali referenciava a toponímia local, as obras têm tido uma notória lentidão.
Muita tubagem e um complicado desvio do tráfego rodoviário tem tornado necessária a presença frequente de forças policiais no local.
Tanto a este como a oeste daquela futura rotunda, o trânsito tem sido caótico.
Impõe-se ali a intervenção política, de modo a desbloquear problemas. Rapidamente.

As rotundas e a velocidade

19 Abril 2016

foto joao xavier - acidente na rotunda da patinha

Em 1906, Eugène Hénard conseguiu acabar com uma série de complicados cruzamentos na zona do Arco do Triunfo (em Paris), construindo uma mega rotunda onde convergem 12 avenidas!
A moda não pegou facilmente.
Em Portugal, só vulgarizámos a construção de rotundas no séc. XXI, abusando até da receita e construindo algumas com defeitos de desenho, de dimensão e de nivelamento.
O modo como diversos automobilistas se fazem às rotundas é por vezes anedótico e amiúde desastroso.
As rotundas existem para ajudar a fluir o trânsito, mas também para moderarem as velocidades… e essa função de travão vai deixando marcas. É o caso que aqui hoje trago: o de um muro na rotunda da Patinha, em Olhão (uma rotunda mais conhecida como a Rotunda do Pingo Doce).
Foi há poucos dias, quando uma viatura saiu disparada e encontrou o muro…
Eugène Hénard não teve culpa.

A rotunda do cruzado

11 Dezembro 2015

foto joao xavier - rotunda do cruzado

Num tempo em que tanto voltamos a ouvir muçulmanos a falar da luta contra os cruzados, temos uma rotunda nova em Castro Marim: exatamente uma rotunda dedicada aos cruzados que se estabeleceram naquele sítio e ali sedearam ordens religiosas.
O trabalho em metal tem imponência e marca a saída norte da povoação, que vai dando passos pequeninos para se expandir além da urbe centenária.
Castro Marim teve a sua História não umbilicalmente ligada à Reconquista Cristã no séc. XIII e no século seguinte com as Ordens dos Templários e de Cristo.
Já nos séc. XV, XVI, XVII e XVIII, foi terra de desterro; e foi sendo cada vez mais ultrapassada no povoamento e no desenvolvimento que no séc. XX só tinha olhos para o litoral.
Os cruzados ficaram para a História, mas mais valioso é o que se vai descobrindo do povoamento daquela zona cerca de 5000 anos antes de Cristo.
Os novos cruzados, esses, deixaram os cavalos em terra e armam-se agora em valentões mandando bombardeiros e drones. Coisas de uma civilização que pouco aprendeu.