Archive for the ‘Toponímia’ Category

O amor de Sá Carneiro

19 Abril 2018

KODAK Digital Still Camera

 

Com a apresentação do filme que está a ser rodado sobre a paixão de Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis (Ebbe Merete Abecassis), muita gente está pela primeira vez a ouvir falar de um caso amoroso que foi comentado à boca pequena, quando nos anos 80 Portugal viveu grandes agitações políticas e a luta pelo poder era manietada pela espionagem das grandes potências.

Francisco Sá Carneiro, deputado liberal da Ação Nacional Popular de Marcello Caetano, fundou depois do 25 de abril o PPD (agora PSD). Era então casado com Isabel e estavam a criar 5 filhos.

Em janeiro de 1976 (tinha ele 41 anos…), a fogosa escritora Natália Correia apresentou-lhe Snu Abecassis (empresária divorciada e com 3 filhos) e disse-lhe à socapa: «É uma princesa à espera que venha o príncipe encantado que lhe dê o beijo de fogo…»!

Sá Carneiro deve ter ficado com os ouvidos a zunir. Depressa se apaixonaram perdidamente, depressa ele quis o divórcio que a mulher não assinou e depressa chegou a primeiro-ministro.

Foi então que passou a aparecer em atos públicos com Snu, como se fossem um casal instituído. «Se esta situação for incompatível com o exercício das minhas funções, escolherei a mulher que amo.» – vincou então.

Morreram os dois quando o avião em que acabavam de levantar voo caiu em Camarate, em 4 de dezembro de 1980.

 

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Almeida Garrett perdido de amores

7 Fevereiro 2018

foto joao xavier - rua almeida garrett em aveiro

Almeida Garrett foi um ilustre escritor e político português do séc. XIX.

Quando tinha 47 anos, apaixonou-se por uma viscondessa espanhola casada com um oficial português e ficou completamente desparafusado.

Os prazeres carnais dessincronizavam-lhe os dias.

A certa altura, a deitar vapor, escreveu-lhe:

«Possuir-te é gozar de um tesouro infinito, inesgotável.(…) Depois de ti, toda a mulher é impossível para mim, que antes de ti não conheci nenhuma que me pudesse fixar.»

Noutra ocasião, confessou-lhe:

«Sinto-me carregado de uma eletricidade de amor que me estala este coração se não derramo sobre o teu parte desta corrente que quer rebentar com ele.»

«É verdade, amor querido, esta felicidade que nós gozamos, esta liberdade com que tempos a tempos nos vemos, nos abraçamos, nos beijamos, é imensa, é infinita, minha querida R.»

Rosa de Montufar Infante, viscondessa da Luz, em mais não ficou para a História. Mas Almeida Garrett, tão homenageado pelas toponímias de Portugal inteiro (como a de Aveiro, que eu fotografei), guardou até aos últimos dias um deleite que não aprendemos nas escolas…

Uma povoação catalã no Algarve

25 Janeiro 2018

foto joao xavier - vale andreu

Não é caso único, mas é uma raridade: uma povoação algarvia de origem catalã.

É Vale Andreu e situa-se a 11 Km de Castro Marim, juntinho à Barragem de Beliche.

Andreu é um nome próprio da Catalunha (em português, André). As versões lusa, espanhola e inglesa deste nome tiveram origem grega (andrós, que significa homem macho, masculino).

Agora que tanto se fala na Catalunha e na luta do seu povo pela independência, aproveite ir dar uma volta e ver a aldeola catalã da serra algarvia. A partir da Estrada Nacional 122, a norte da Junqueira, siga as placas indicativas e depois vá também ver a Barragem de Beliche, que, em conjunto com a Barragem de Odeleite (mais a norte), fornece água a metade do Algarve.

Uma terra com 5 nomes diferentes!

27 Dezembro 2017

KODAK Digital Still Camera

Perto de Santa Catarina da Fonte do Bispo, há uma aldeia com nome incerto!

Conseguimos encontrar 5 (cinco!!!!!) nomes diferentes!!!

Num mapa militar, é Várzeas de Vinagres.

Num mapa turístico, é Várzea do Vinagre.

Numa placa de aproximação, é Várzea de Vinagre.

Na placa de início da localidade, é Varzeas do Vinagre.

E no site dos Correios é Várzeas de Vinagre!!!!!

Convenhamos que é demasiado!!!!!

Não há quem ponha ordem nisto?

Haja quem trabalhe na Câmara Municipal de Tavira a estudar a toponímia e acabe com esta anarquia.

Um processo mortífero em Estoi

21 Dezembro 2017

foto joao xavier - rua dos abracinhos

O ex-presidente da Junta de Freguesia de Estoi, José Paula Brito, foi condenado a 3 anos de prisão por prevaricação, por ter beneficiado um empresário da construção civil, numas obras realizadas naquela histórica aldeia algarvia no ano 2012.

O caso é mais um dos muitos de que vamos ouvindo falar, sobre gestão pouco cuidada dos dinheiros e dos projetos públicos. Contudo, tem uma particularidade…

Este processo judicial tem vindo a «eliminar» um a um os seus protagonistas: dos 3 envolvidos (presidente, secretária e construtor), já só resta o autarca (punido com pena suspensa), pois os outros 2 faleceram antes de ser conhecida a sentença!

Esmurrado, pontapeado e estrangulado

6 Dezembro 2017

foto joao xavier - rua sebastiao cordeiro

Esmurrado, pontapeado e estrangulado! Assim foi assassinado há dias, em Loulé, um homem que vivia na miséria. Os 2 assassinos, depois, venderam o carro onde ele pernoitava e dividiram o dinheiro entre ambos!

O crime quase passou despercebido naquela cidade algarvia.

«Não era gente de cá!» – diz-se.

O episódio ocorreu na rua Sebastião Cordeiro, uma rua que desde 1991 homenageia um ilustre professor, pedagogo e escritor louletano que no séc. XVII exerceu a docência em Lagos durante duas décadas.

Antes, esta rua era conhecida como… caminho para a cabecinha do mestre. Agora, pouca gente repara no nome: dizem que é a rua do estádio. Uma rua com uma história triste para contar…

 

A Várzea do Farelo

6 Setembro 2017

KODAK Digital Still Camera

Observando um mapa editado pela Região de Turismo do Algarve, reparei numa povoação situada a norte da Figueira, no concelho de Portimão: a Várzea do Farelo.

Fui então até lá.

Atravessada por um grande viaduto da Via do Infante, a Várzea do Farelo tem o nome numa loja agrícola, numa quinta e numa paragem de autocarro. Placa toponímica é que não!

O problema é recorrente: as nossas autarquias desdenham as pequenas povoações e, na incompetência que reina, até esquecem o dever de identificarem os respetivos limites na rede rodoviária.

Em muitos casos, o que encontramos são placas de aproximação, com seta. Depois, atravessamos as povoações sem que existam placas toponímicas retangulares!

Na diversidade que nos enriquece, esta falha há muito deveria ter sido corrigida, numa região que não vive apenas de grandes urbes e muito menos apenas de sítios que «toda a gente conhece».

Quanto à Várzea do Farelo, propriamente, muito haveria a contar…

Já ali foi encontrada uma necrópole da idade do bronze, tem uma lenda de bruxas, já teve durante anos um parque de campismo ilegal e tem uma ribeira marafada (a Ribeira do Farelo, que nasce a 462 metros de altitude na Serra de Monchique e percorre quase 20 Km antes de desaguar na Ribeira do Alvor)…

 

Como se o Montenegro não existisse…

26 Julho 2017

foto joao xavier - sinaletica sem o montenegro

Existe um país chamado Montenegro, mas já antes existia perto de Faro um sítio chamado Montenegro.

Cresceu, cresceu… e é já a mais nova freguesia do concelho de Faro.

Na freguesia do Montenegro, existe o maior campus universitário algarvio, o único aeroporto internacional do Algarve, o maior hospital privado do concelho, a Praia de Faro, uma série de supermercados, etc., etc.. Até é onde se realiza o maior evento anual de Faro, a famosa Concentração de Motos de Faro.

Pois, para quem chega perto da capital algarvia, vindo do barlavento, pela Estrada Nacional 125, não existe uma única placa indicativa do rumo a seguir por quem queira ir ao Montenegro!

É como se o Montenegro não existisse.

Haja quem acorde e mande colocar o nome do Montenegro nas placas!

 

A Soalheira escondida

11 Julho 2017

foto joao xavier - soalheira escondida

De repente, você quer virar à direita, mas não sabe para onde vai. A placa está ali… mas a alfarrobeira também!

As árvores gostam de crescer… e, no caso das alfarrobeiras, o crescimento é sempre bem vindo, pois a produção de alfarrobas aumenta e a capacidade de absorção do carbono também!

Há ali, contudo, um problema. Um problemazito…

As alfarrobeiras crescem mais depressa do que seria conveniente para os serviços que gerem as nossas estradas!

Crescem tão depressa que os serviços não têm capacidade de resposta!

A placa em causa situa-se em São Romão (concelho de São Brás de Alportel) e indica a direção para a Soalheira.

Não é uma placa muito necessária: no Algarve, para apanharmos uma soalheira não temos de ir até à Soalheira…

 

Vá até à Cortelha

17 Junho 2017

KODAK Digital Still Camera

Para quem se repete nos circuitos turísticos e viaja quase sempre para os mesmos sítios, recomendo hoje um passeio pela serra do Sotavento algarvio, sem precisar de chegar ao nordeste.

Vá até à Cortelha.

Muna-se de um mapa, apanhe o rumo norte em Vila Nova de Cacela e meta-se por uma estrada rural, primeiro em muito mau estado e mais acima com piso e perfis de boa qualidade.

Situada a mais de 200 metros de altitude, a cerca de 15 Km do Azinhal, a Cortelha é, em termos populacionais, a segunda maior localidade da freguesia do Azinhal (no ano 2011, foram recenseados na Cortelha 47 habitantes e 35 edifícios).

No ranking das edificações, a Cortelha é a 3ª maior povoação daquela freguesia castromarinense, com a particularidade de só ter atualmente edifícios construídos após a 2ª Guerra Mundial.

As habitações existentes na Cortelha são apenas de 1 ou 2 pisos, sendo uma delas a antiga escola primária.

Foi na Cortelha que nasceu em 1983 o ciclista Ricardo Mestre, vencedor da Volta a Portugal em Bicicleta em 2011.

«Cortelha» (do latim «cohorticula»), era um nome dado a currais, pocilgas, malhadas, pequenas cortes e cabanas de pastores.

Deixe a variante à aldeia e visite o aglomerado populacional.

Depois, pode seguir rumo ao Azinhal (há sinalizações a ajudar), vai passar sobre a bela ribeira do Beliche, abastecer-se na aldeia e retornar ao sul, quem sabe se para dar ainda uns mergulhos no cálido mar de Monte Gordo, Praia Verde ou Manta Rota, por exemplo.

O que você não vai mesmo esquecer é a viagem por um Algarve esquecido, natural, rude e puro… tão perto do litoral sobrelotado.