
Há uma qualquer cegueira muito esquisita que está a afetar os políticos modernos: começam por diminuir a amplitude da visão e acabam por não conseguir ver o ridículo das suas decisões políticas…
Zapatero, o primeiro-ministro espanhol, avançou com uma proposta para ajudar a equilibrar as finanças de nuestros hermanos: começar desde 2013 a aumentar a idade da reforma completa para os 67 anos!
Apetece perguntar: porque não 69?
Mas este não é um assunto de brincadeira: brinca com a dignidade de cada um e com a realidade do outono da vida… e isso não dá graça.
Por outro lado, atrasa a inserção dos nossos jovens no mercado do emprego estável, o que só favorece a baixa do consumo e a pouca estabilidade de vidas que estão em idade de produzir e não em idade de esperar.
Estes políticos sem tarimba preferem ver cinquentões e sexagenários a trabalhar e trintões à procura de emprego!
Não chegou ainda o tempo de se reduzirem os grandes vencimentos e as grandes pensões de reforma e aposentação que são um atentado ao bom senso.
Não chegou ainda o tempo de se privilegiar a entrada dos mais jovens para o lugar de quem já deu décadas de trabalho à sociedade.
Não chegou ainda o tempo de se libertar todos os sexagenários da obrigação de trabalhos stressantes e extenuantes.
Não chegou ainda o tempo de se resolverem os problemas financeiros atacando os negócios fraudulentos, as despesas supérfluas, os ganhos ilícitos e as fugas aos impostos.
Não chegou ainda o tempo de se procurarem os equilíbrios orçamentais sem sobrecarregar os assalariados pobres, já de si golpeados com ordenados miseráveis e humilhantes.
Este tempo é de uma geração de políticos viciados em chão polido, resorts e autogovernança. Políticos que não percebem a diferença enorme entre congelar um vencimento de 3000 euros e congelar um vencimento de 500 euros!…
E com eles no poder, vamos continuar a fazer marcha atrás. Eles vão pisar os direitos adquiridos e vão acelerar o retrocesso no respeito pela dignidade da pessoa humana.
Para eles, vão continuar a existir reformas com majoração da contagem do tempo de serviço; para os outros, vamos continuar a caminho da reposição da velha estória dos nossos bisavós: trabalhar sem limite de horário e trabalhar até morrer.
O tanas.