Estou num café de uma vila serrana algarvia.
Na mesa da frente senta-se um homem com mais de 70 anos, atabalhuado com os sacos que descarrega. Bate todos os bolsos à procura de qualquer coisa. Depois, assenta os pensamentos e gira o pescoço 360 graus, olhando pausadamente os rostos de quem está.
A pele conta-nos estórias de muitos anos ao sol e as mãos têm já o peso de milhões de cavadelas.
Respira fundo. Há qualquer coisa que não está bem. Respira fundo. Uma e outra vez. Repara em mim e diz-me: “É a vida!…”
Ao lado, está uma mulher um pouco mais nova. Tem um tubo verde na garganta. Aperalta-se, olha o relógio e pede pressa no lanche.
Três raparigas entram e sentam-se ali ao fundo. Não se calam nem largam os telemóveis. Sorriem. Segredam.
Quatro quarentões bebem cerveja. “Ontem em Albufeira 3 gajos pediram-me esmola. Eu disse-lhes que ando a juntar pra ajudar o Cavaco…”- conta um.









