Archive for the ‘Provérbios’ Category

A propósito de chuvas e guarda-chuvas

28 Abril 2017

foto joao xavier - guarda-chuva no futebol

Nas conversas de rua, notava-se ontem a chuva como assunto prioritário. Depois de um mês seco, chegou a rega de que as cebolas estavam a precisar, felizmente sem seguir à letra o provérbio que rima abril com águas mil.

O nobre inglês que foi o rei Eduardo VIII e Duque de Windsor, um dia, ao sair de um comboio, pegou distraidamente num guarda-chuva alheio.

O respetivo dono apressou-se a jogar-lhe a mão: «Ei! Isso tem dono!»

Ao fim do dia, tendo comprado 3 guarda-chuvas que viu numa loja, passou pelo tal compatriota que lhe exclamou ironicamente: «A colheita hoje foi boa, hein!…»

Há também a estória daquele pai que, chegado de Lisboa, trouxe um guarda-chuva para o filho adolescente.

«Devias ter-lhe oferecido um livro!» – criticou a mulher.

«Este ao menos eu sei que ele um dia vai abrir…» – esclareceu o homem.

Os guarda-chuvas, que hoje em dia compramos às vezes como se fossem para «usar e deitar fora» e até conseguimos encolher para uma dimensão outrora inimaginável, começaram por ser grandes e pesadões: consta que no séc. XVII pesavam mais de quilo e meio…

Cobertos com pele de animal ou tela encerada, tinham um cabo muito grande e eram robustos e… carotes. Passavam de pais para filhos…

Diz quem sabe que só chegaram a Portugal no séc. XVIII e rapidamente se tornaram moda.

 

António Aleixo e as moscas

20 Janeiro 2017

foto-joao-xavier-rotunda-antonio-aleixo-vrsa

Um dia, junto ao Guadiana, um nonagenário confidenciou-me a amargura com que tinha visto passar o médico («o senhor doutor») em calções.

«As pessoas já não sabem compor-se para sair à rua!» – queixava-se o velhote.

Foi na cidade pombalina que nasceu o grande poeta algarvio António Aleixo, que, parece que a propósito, fez um dia uma quadra:

«Uma mosca sem valor / poisa com a mesma alegria / na careca de um doutor / como em qualquer porcaria.»

O pobre do António Aleixo, moldado por uma sociedade hierarquizada e com limites impostos na escala social, achava que a cabeça de um doutor era algo de especial… mais que não fosse, pelo ego inflacionado.

Afinal, pensando bem as coisas, a cabeça de um doutor é como qualquer porcaria, sobretudo se o doutoramento foi de aviário ou o doutor nem doutor é… e apenas fez uma licenciatura qualquer, ao preço da uva mijona.

As habilitações superiores banalizaram-se de tal modo que encontramos licenciados empregados de lojas ou a fazer bolos. E já no tempo de Aleixo se dizia que «com papas e bolos se enganam os tolos»…

 

Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré

29 Setembro 2016

foto joao xavier - lagartixa

Foram hoje publicadas as listas de colocação de alunos no ensino superior.
É confrangedor notar as fracas notas com que muitos jovens conseguem entrar nas universidades portuguesas!…
No panorama que uma análise simples das listas nos permite, até a nota 12 parece uma boa nota!!!
Mas mais confrangedor ainda é haver alunos que entram com médias de 10…
Isto não é um folclore qualquer de escárnio e mal dizer: há neste panorama uma autêntica promoção da mediocridade!
O ensino superior deveria promover a excelência. É nessa postura que se alavanca o progresso de um país e a qualidade das suas atividades produtivas e dos seus serviços.
Permitir a entrada de alunos medíocres é promover a mediocridade do respetivo trabalho futuro (com boas exceções que nunca deixarão de ser exceções).
É claro que alguns destes alunos nem sequer passam do 1º semestre, pois esbarram na exigência do ensino superior como se esbarrassem numa parede.
«Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré», mesmo que lhe deem um diploma…

O ocaso de Dilma

31 Agosto 2016

dilma cartão vermelho

Dilma Rousseff foi hoje finalmente destituída da Presidência do Brasil.
Por 61 votos contra 20, o Senado brasileiro impede a partir de hoje a conclusão do mandato da sucessora de Lula.
Foi precisamente com Lula que a presidente assumiu o seu ato mais ridículo, nomeando-o para o Governo, quando as autoridades judiciais se aprestavam para o acusar de falcatruas.
Pouco sabemos da verdade de muitas acusações, mas temos um provérbio que nos ajuda: «Onde há fumo há fogo»…
De Dilma combatente sobrou uma história de sofrimento e valentia. Mas o poder corrompe facilmente. De Dilma presidente sobra uma imagem de arrogância e prepotência que levou à destituição que hoje ocorreu.
O Brasil pode festejar esta libertação.

A civilização do medo

24 Agosto 2016

foto joao xavier - pedal de autoclismo

O Governo alemão está a aconselhar os cidadãos a armazenarem em casa reservas de alimentos e água para 10 dias!…
O argumento para esta cautela é que as rotas de petróleo e gás podem ser cortadas e as reservas de água e de alimentos podem ser envenenadas.
Segundo o conceito alemão de proteção civil, pode haver algo que impeça o acesso fácil aos serviços de proteção civil.
Há quem considere estes avisos alarmistas, mas «quem te avisa teu amigo é» e «homem prevenido vale por dois» – diz o povo…
Certo, certo… é que o modelo de sociedade e de cidades que construímos parece cada vez mais pronto a esvair-se…
Os pontos de abastecimento de água e alimentos eram próximos e diversificados; agora, situam-se a grandes distâncias e concentraram-se. Foi um erro evoluirmos assim.

As mamas da Ana Rita Clara

22 Julho 2016

foto joao xavier - ana rita clara em 2009 em faro

No verão de 2009, fotografei em Faro a jovem apresentadora Ana Rita Clara.
Sete anos passados, a conhecida blogger apareceu na capa da revista Nova Gente com as mamas à mostra numa qualquer praia estrangeira.
No interior daquela publicação semanal, podíamos também ver outras fotos de cenas algo «íntimas» da Ana Rita com o marido.
Tudo leva a crer que as fotos foram conseguidas por um paparazzo, mas mesmo assim muita gente reagiu nas redes sociais criticando a agora grávida pelas figuras que anda fazendo em espaços públicos.
Ela quer «resolver» o problema «na justiça», mas o certo é que a liberdade de imprensa e a liberdade de cada um são estatutos que colidem amiúde…
Quanto às mamas, mais ou menos escuras, mais ou menos desfocadas, mais ou menos erectas, mais ou menos desalinhadas, mais ou menos volumosas, mais ou menos caídas, a gente gosta de as ver.
Diz o povo, na sua imensa sabedoria: «Quem não quer passar por lobo não lhe vista a pele.» Neste caso… quem não quer aparecer despido não se dispa.

Cláudia Jacques e os provérbios

9 Junho 2016

foto joao xavier - cláudia jacques em 2009

No ido ano de 2009, estive na Quinta do Lago com Cláudia Jacques, uma relações públicas que ia já na altura aparecendo amiúde na imprensa cor de rosa.
Ela sorriu para o Marafado (foto acima) e eu desde então tenho acompanhado na imprensa o que vai saindo sobre ela.
Recentemente, a vida nublou-se para Cláudia Jacques: o seu atual companheiro (marido, segundo a lei das Ilhas Maurícias), Olivier da Silva, foi preso, acusado de burla.
Os investigadores referem mesmo que o suspeito faz das burlas o seu modo de vida e apresenta-se sob diversas identidades! Olivier Parente, Jonathan Parente, Olivier Parente, Olivier Figueiredo e Olivier da Silva…
O caso tem tido forte repercussão na imprensa. Cláudia Jacques, agora com 51 anos e duas filhas, ainda não foi desta que estabilizou…
Ela conhece, decerto, alguns provérbios populares. «Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és», «Com quem te vejo com quem te comparo», «Quem não se gaba de ruim se perde»… Talvez por isso tenha tratado de falar na primeira pessoa do singular:
«Sou super-respeitada, honesta, séria, trabalhadora, educada, boa amiga e boa pessoa, bom coração.»

Fazendo ruas como se não houvesse chuva

18 Maio 2016

foto joao xavier - riacho sobre rua na junqueira

O modo como o bicho homem lida com a mãe Natureza é bastante diversificado.
Há quem construa destruindo linhas de água e há quem construa subvalorizando a força das águas quando a invernia chega.
Por norma, há que avaliar os caudais primeiro, para construir adequadamente depois.
Como a água tem de correr por algum lado, é conveniente deixar-lhe espaço, porque senão, a água vai correr por cima ou outro lado e pode levar pela frente o que nós queríamos que ficasse incólome.
Quando fazemos ruas ou estradas, a avaliação prévia das linhas de água é fundamental. Para solucionar os incómodos, foram inventadas as pontes, os pontões e as canalizações…
Ocorreu-me tudo isto quando há dias passei sobre um riacho numa rua da Junqueira.
Perante o alcatrão que lhe meteram pela frente, as águas seguem límpidas, destruindo serenamente o pavimento («água mole em pedra dura… tanto bate até que fura»- diz o povo).
Um bocadinho mais de trabalho resolvia o assunto…

Coisas de um burro sorridente…

22 Fevereiro 2016

foto joao xavier - burro em loulé

«Mais vale burro que me carregue do que cavalo que me derrube» – diz um provérbio popular.
Para publicitar uma feira de chocolate, o Mercado de Loulé colocou na rua um burro.
Nada de pensarem que aquilo é uma homenagem aos burros que por ali passam! Mais abaixo havia também um porco…
Os asnos que circulam hoje em dia pelas nossas urbes zurram muito e pensam pouco. Coisa que realmente é própria dos burros.
Os tempos atuais escorraçaram das nossas ruas os verdadeiros burros a tal ponto que até os especialistas já dizem que os pobres estão em vias de extinção.
Ali para as bandas de Loulé morreu há umas 4 décadas uma mulher que, montando a sua burra com cio (a burra…), foi atirada por um burro que, andando à solta, desorelhou completamente ao ser assaltado pelo perfume da burra.
Bateu com a cabeça numa pedra e morreu. Deve ter sido das poucas mortes causadas pela tesão.
As coisas que aquele burro sorridente me fez lembrar!…

87 casamentos e 61 divórcios…

14 Fevereiro 2016

foto joao xavier - casamento

Os provérbios não tratam muito bem os casamentos:
«Antes de ires para a guerra, reza uma oração, antes de ires para o mar reza duas e antes de casares reza três…»;
«O amor é um jardim florido e o casamento é um campo de urtigas.»…
Contudo, segundo as mais recentes estatísticas oficiais de Portugal sobre relações conjugais, em cada dia que passa, em média, são assinados 87 casamentos e 61 divórcios.
Quem pensava que os divórcios já estavam a ganhar aos casamentos, enganou-se: num ano, foram celebrados 31.478 casamentos, muitos mais que o record de divórcios em Portugal, que foi batido no ano 2002, com 27.708 roturas oficiais.
É verdade que o número de casamentos tem vindo a baixar. O record do ano de 1975 nunca mais foi batido (103.125 casórios). O alvoreamento das amplas liberdades fez muitos jovens fugirem da casa dos pais e assinarem casamentos apressados (a maior parte entretanto dissolvidos…). O certo é que o número de divórcios tem aumentado, mas muito lentamente.
O divórcio, não se esqueça, é um dos mais fortes acontecimentos geradores de stress grave… e acarreta um período de resolução psicológica que nem todas as pessoas «digerem» com facilidade.