Archive for the ‘O homo modernus’ Category

Recoletores…

14 Março 2017

recoletora

Antigamente, o ser humano era recoletor: caçava, pescava, colhia frutos…

Era nómada.

Depois, começou a sedentarizar-se e a ser produtor.

Especializou-se.

Aproveitou e reforçou as diferenças de estatuto.

A seguir, começou a comerciar. E inventou o dinheiro.

Depois, esmerou a sua faceta de inventor.

Artificializou a vida e criou a poluição.

Estamos chegados aos tempos modernos. Com enormes diferenças sociais, com doenças, com destruição impensável dos recursos naturais.

Mais valia voltarmos a ser recolectores!…

Animais em casa como catarse do homo modernus

8 Março 2015

Piton em Albufeira - in JN

Uma cobra piton albina, viva, com 2 metros de comprimento, foi encontrada num contentor do lixo, em Albufeira!!!
Este réptil pode chegar aos 8 metros de comprimento. Como piton, apesar de não ser venenosa, pode sufocar uma pessoa.
É extraordinária a irresponsabilidade de quem se mete a criar em casa animais selvagens!
Não custa adivinhar que neste caso foi alguém que se arrependeu e tratou de levar o bicho para o lixo, antes que o bicho lhe arranjasse algum problema irresolúvel…
Não é só com animais potencialmente perigosos que a asneira se nota hoje em dia, entre quem se aventura na criação de animais! Em alguns casos, é pelo tamanho, pelo incómodo que causam e pelas doenças que provocam.
A escapatória para as frustrações da vida moderna podia ser menos estúpida…

O homo calçatus

1 Abril 2009

Homo calçatus, por João Xavier

O homo modernus evoluíu no sentido de uma grande fragilização e isso está bem patente na necessidade de proteger os pés, ao contrário de qualquer outro animal, mesmo os primatas e os bípedes.

A evolução aprimorou uma variedade de calçado que é difícil enumerar: sapatos, botas, sapatilhas, chinelos, sandálias, alpercatas, tamancos, mocassins, galochas, botins, socas, pantufas, sabrinas, ténis, chuteiras, etc. …, num conjunto que é complementado por meias, peúgos, souquettes, collants, etc. …

Tal diversidade é aumentada pelas finalidades específicas a que o calçado e seus acessórios se destinam: caminhadas, montanhismo, passeios, lazer, desportos diversos, cerimónias e outros pretextos …

As fêmeas do homo calçatus usam ainda o calçado com o objectivo de parecerem mais altas e mais elegantes, aumentando-lhe desmesuradamente os tacões e provocando alterações dolorosas na coluna vertebral.

Mais do que objecto de protecção dos pés, para o homo calçatus o calçado é um objecto de design, requinte e moda.

Chama-se ‘pé descalço’ a um pobre. E usa-se a expressão ‘ser apanhado descalço’ para significar ‘ser apanhado desprevenido’.

O homo drogatus

16 Fevereiro 2009

homo-drogatus-jx

O homo drogatus é uma sub-espécie do homo modernus em grande expansão desde a 2ª metade do séc. XX.

A sua disseminação é tal, que o tráfico de drogas é uma das mais ricas actividades do planeta, regulada numa sub-economia clandestina que movimenta fortunas.

O homo drogatus vive dependente de substâncias psicotrópicas que ingere / snifa / fuma / injecta.

As drogas mais usadas são os opiáceos (ópio e heroína), os alcalóides (cocaína e crack), a cannabis (haxixe) e as drogas sintéticas (lsd).

São produtos que têm efeitos analgésicos / estimulantes / euforizantes / sedativos / inebriantes / perturbadores sensoriais / alucinantes… mas têm efeitos secundários graves, como depressão respiratória, hemorragias internas e colapso de rins e fígado, por exemplo… gerando, sobretudo, uma grande dependência física e psíquica, por a sua ausência induzir ansiedade.

O homo drogatus provoca grandes despesas nos sistemas nacionais de saúde mas são cada vez mais numerosos os toxicodependentes ou toxicómanos (nomes vulgares com que é catalogado o homo drogatus).

O homo electricus

4 Fevereiro 2009

homo-electricus-jx

O homo electricus é uma subespécie muito recente do homo modernus.

Há 100 anos, um carregador era “quem põe ou transporta carga ou peso”; agora, é “um aparelho para recarregar de energia eléctrica uma bateria de acumuladores”;

Há 100 anos, uma pilha era “um montão de cousas postas a cavalete umas sobre as outras”; agora, é “um aparelho que transforma em energia eléctrica a energia desenvolvida numa reacção química”;

Há 100 anos, uma lâmpada era “um vaso com azeite e torcida”; agora, é ” uma ampola que emite luz”;

Há 100 anos, um interruptor era “quem estorva ou suspende a continuação de alguma cousa”; agora, é “um aparelho que serve para interromper ou ligar um circuito eléctrico”;

Há 100 anos, uma bateria era “uma fortificação com peças assestadas”; agora, é “um agrupamento de acumuladores de energia eléctrica dispostos em série” …

A produção de energia eléctrica pelos humanos só começou no séc. XIX e só se generalizou na segunda metade do séc. XX.

Hoje em dia, o homo electricus vive rodeado de radiações eléctricas por todo o lado e depende da electricidade para quase tudo: para viajar a longa distância, para iluminar edifícios e povoações, para comunicar, para realizar tarefas domésticas, etc. .

É enorme o número de aparelhos eléctricos que o homo electricus usa no seu quotidiano: televisores, rádios, varinhas mágicas, batedeiras, microondas, frigoríficos, máquinas de lavar roupa e loiça, ferros, gravadores, computadores, fotocopiadoras, calculadoras, relógios, automóveis, etc., etc. …